Câmara anula votação em comissão de revisão sobre acusação contra juiz Simpértegui

A comissão de revisão da Câmara dos Deputados anulou de forma incomum a votação unânime que aprovava a acusação constitucional contra o juiz da Suprema Corte Diego Simpértegui devido a um erro na entrega de documentos chave. A presidente da comissão, Maite Orsini, decidiu repetir a votação na quinta-feira após confirmar que uma peça crucial de evidência chegou no prazo, mas não foi relatada. Isso adia a sessão plenária até a próxima segunda-feira.

Em uma decisão considerada irregular por alguns juristas, a comissão de revisão da Câmara dos Deputados anulou na quarta-feira a votação unânime (4 a favor) que recomendava a aprovação da acusação constitucional contra o ministro suspendido da Suprema Corte Diego Simpértegui. O motivo foi um erro administrativo do secretário Roberto Fuentes, que não informou à presidente Maite Orsini (FA) que os documentos de evidência da defesa do juiz haviam chegado dentro do prazo estabelecido.

Esses documentos incluem comprovantes de transferências e depósitos que, segundo a defesa, comprovam que Simpértegui pagou do próprio bolso as passagens para dois cruzeiros no Mediterrâneo ao lado dos advogados Mario Vargas e Eduardo Lagos, ligados ao consórcio Belaz-Movitec no chamado 'enredo bielorrusso'. Orsini argumentou que, sem essa evidência, a votação não estava devidamente informada. 'Tenho que reconsiderar minha decisão, quero ouvir o advogado da defesa para esclarecer os documentos que ele enviou', declarou a deputada em um ponto de imprensa, ladeada pelo secretário-geral da Câmara, Miguel Landeros, e Fuentes.

Orsini explicou: 'A evidência parece indicar que o ministro cobriu o custo dos dois cruzeiros com seus próprios recursos. Há também declarações da esposa do ministro mostrando vários débitos, incluindo dois na companhia Latam por USD 1.200 cada, e outros pagamentos de hotéis no Mediterrâneo.' Ela acrescentou que isso pode não constituir 'novos abandonos' para alguns parlamentares.

O deputado Daniel Manouchehri (PS), proponente da acusação, minimizou o impacto do documento: 'O pagamento feito por Simpértegui para participar dos cruzeiros não é um argumento convincente para a acusação constitucional. Quem pagou a passagem nunca esteve em questão.' No entanto, ele expressou surpresa com a repetição da votação: 'Tudo isso me parece estranho. Uma situação que normalmente é resolvida na Câmara dos Deputados, apesar desses problemas administrativos.'

A nova votação está agendada para quinta-feira às 11h, com a apresentação do advogado da defesa, e a sessão plenária para segunda-feira ao meio-dia. Anteriormente, na terça-feira, a comissão ouviu o juiz Mario Carroza, que ofereceu um mea culpa: 'Não tivemos bom comportamento' do Judiciário, e o ex-juiz Guillermo Silva, que enfatizou a imparcialidade judicial: 'A imparcialidade é essencial em um juiz.' Carroza apoiou a fiscalização congressional: 'A fiscalização congressional é correta.'

Essa situação levanta suspeitas sobre possíveis mudanças no resultado final da acusação no plenário.

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