O Terceiro Tribunal Oral Criminal de Santiago absolveu por maioria oito réus no caso SQM, incluindo o ex-senador Pablo Longueira e o candidato Marco Enríquez-Ominami, criticando a duração do processo e a qualidade das provas da promotoria. A sentença destaca uma violação ao direito a um julgamento oportuno após 11 anos de investigação e um julgamento de três anos. A decisão será proferida em agosto de 2026, deixando espaço para um recurso de nulidade.
O caso SQM, que investiga financiamento ilegal de campanhas por meio de notas fiscais falsas, começou em 2014 com investigações iniciais e buscas em 2015 sob a promotoria de Sabas Chahuán. Em março de 2015, uma equipe especial avançava, mas o procurador nacional Jorge Abbott dividiu as investigações, o que o ex-promotor Emiliano Arias diz ter causado contradições e danos irreparáveis. A acusação foi apresentada na era de Abbott, e o julgamento oral começou em fevereiro de 2023, com 560 sessões e quase três anos de duração.
O tribunal, com os votos das magistradas María Teresa Barrientos e Claudia Santos contra o voto dissidente de Carolina Paredes, absolveu os réus de suborno, desvio de fundos e crimes tributários. Repreendeu a promotoria de Valparaíso, liderada por Claudia Perivancich, por apresentar 14.000 documentos repetidos e provas de baixa qualidade, como testemunhas de ouvir dizer. «Há uma flagrante violação do direito a ser julgado em prazo razoável», afirmaram os juízes, notando que 13 testemunhas faleceram durante o processo.
Arias chamou a absolvição de «uma das resoluções mais graves e impactantes que a promotoria enfrentou», instando a um recurso de nulidade apesar de falhas na congruência da acusação. Especialistas como Mauricio Duce e Matías Balmaceda questionaram o prazo máximo de 10 meses para a sentença, até 5 de agosto de 2026, como contraditório às críticas por atrasos. A promotora Perivancich lamentou o resultado, mas avaliará recorrer, reconhecendo os altos custos de um novo julgamento.
A candidata presidencial Evelyn Matthei chamou de «uma vergonha», destacando 12 anos sem resultados e a erosão da confiança na justiça. O caso, emblemático do sistema processual penal, exige revisar acusações indefinidas para garantir prazos razoáveis.