Maior parte dos eleitores crê que Flávio Bolsonaro levará candidatura ao fim

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada neste domingo indica que 49% dos eleitores acreditam que o senador Flávio Bolsonaro manterá sua pré-candidatura à Presidência até o fim. A crença é maior entre bolsonaristas, enquanto lulistas veem o anúncio como tática de negociação. A decisão ocorre em meio a movimentos familiares que geram interpretações no centrão sobre possíveis recuos.

Flávio Bolsonaro, primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou no início de dezembro sua pré-candidatura à Presidência pelo PL, com a missão de "dar continuidade ao nosso projeto de nação", conforme declaração de 5 de dezembro. Horas após o anúncio, ele admitiu que poderia desistir em troca da liberdade do pai, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Posteriormente, em entrevista à VEJA, Flávio afirmou que a candidatura é irreversível: "Não há nenhuma possibilidade de voltar atrás. Meu nome está colocado e vamos começar a debater mais ideias".

Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 21 de dezembro, revela que 49% dos eleitores creem que ele levará a candidatura até as urnas, contra 38% que veem o movimento como estratégia para negociar. Entre os que se identificam como bolsonaristas, 81% acreditam na continuidade, enquanto 57% dos lulistas pensam que se trata de barganha. O nome de Flávio ganhou viabilidade após pesquisas iniciais o colocarem à frente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, favorito do centrão para representar a direita em 2026.

Paralelamente, a insistência de Carlos Bolsonaro em concorrer ao Senado por Santa Catarina, apesar do espaço aberto no Rio de Janeiro pela decisão do irmão, é vista pelo centrão como sinal de que Flávio pode recuar da eleição nacional. Carlos renunciou ao mandato de vereador no Rio seis dias após o anúncio de Flávio e mudou seu título eleitoral para São José, em SC, onde frequenta um clube de tiro e mantém contatos. Aliados afirmam que a mudança é irreversível, e Carlos declarou: "Vou para Santa Catarina para cumprir um chamado que não poderia realizar aqui, pois fiz uma escolha sempre guiada pelo meu coração. Não é uma fuga, é a continuidade de uma luta".

O plano familiar visava expandir a presença no Senado para pressionar o STF contra a condenação de Jair Bolsonaro. Santa Catarina, um estado bolsonarista com 69,3% dos votos para o ex-presidente em 2022, viu Jair Renan eleito vereador em 2024. No entanto, a migração de Carlos causa racha na direita local, com o governador Jorginho Mello (PL) precisando ceder vaga a ele, possivelmente preterindo a deputada Caroline de Toni. Flávio defendeu o irmão em entrevista à CBN: "Carlos tem esse sonho de Santa Catarina, ele ama aquele estado".

O centrão interpreta que Flávio deveria disputar o Senado no Rio, congestionado com nomes como Cláudio Castro e Carlos Portinho, sinalizando possível apoio a Tarcísio contra Lula. Carlos e Flávio não responderam a contatos da reportagem.

Artigos relacionados

Illustration of imprisoned Jair Bolsonaro announcing son Flávio as 2026 presidential candidate from Brasília prison cell.
Imagem gerada por IA

Bolsonaro escolhe Flávio como candidato à presidência em 2026

Reportado por IA Imagem gerada por IA

O ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília, anunciou nesta sexta-feira (5/12) que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, será o candidato do bolsonarismo à Presidência da República em 2026. A decisão visa dar continuidade ao projeto político da família e pode impulsionar pautas como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Reações variam de apoio familiar a críticas do centrão por priorizar a sobrevivência da família sobre uma frente mais ampla da direita.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira (5) que foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidato à Presidência da República em 2026. A decisão reforça a influência da família no campo bolsonarista e gera reações no PT, que vê benefícios para Lula. No sábado (6), o presidente argentino Javier Milei manifestou apoio à pré-candidatura.

Reportado por IA

O senador Flávio Bolsonaro afirmou que só desistirá de sua pré-candidatura à Presidência em 2026 se o ex-presidente Jair Bolsonaro for libertado e puder concorrer às eleições. Em entrevista à Record, ele descreveu o 'preço' como justiça para o pai e seus apoiadores, enquanto elogiou a reação positiva do governador Tarcísio de Freitas à notícia. A declaração ocorre em meio a pesquisas que mostram baixo apoio inicial à sua candidatura.

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha, em Brasília, na quinta-feira (15), expôs divisões entre seus apoiadores sobre as eleições de 2026 e gerou embates públicos entre aliados de Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. O governador de São Paulo confirmou contatos com ministros do STF para melhorar as condições de detenção, mas nem ele nem Michelle Bolsonaro celebraram a mudança, defendendo a prisão domiciliar. A decisão do ministro Alexandre de Moraes foi ironizada pelo próprio magistrado em evento em São Paulo.

Reportado por IA

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitou por unanimidade, nesta sexta-feira (7), o recurso da defesa de Jair Bolsonaro no processo sobre a trama golpista, mantendo a condenação a 27 anos de prisão. Aliados do ex-presidente, como o senador Flávio Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reagiram no evento de inauguração de uma sede partidária em Atibaia, prometendo respostas à suposta perseguição e apostando na volta de Bolsonaro à Presidência em 2026. A defesa de outros réus, como Walter Braga Netto, anunciou que recorrerá inclusive a cortes internacionais.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, destacou a marcha liderada pelo deputado Nikolas Ferreira como um movimento corajoso que reuniu 18 mil pessoas em Brasília. O ato bolsonarista consolidou Ferreira como cabo eleitoral nacional do PL para as eleições de 2026. Auxiliares do governo Lula minimizam a mobilização, atribuindo-a a distrações de escândalos.

Reportado por IA

O senador Flávio Bolsonaro criticou o regime carcerário imposto a seu pai, Jair Bolsonaro, questionando até quando o ministro Alexandre de Moraes terá autoridade para praticar o que ele chama de tortura. Em coluna, o jornalista Elio Gaspari rebateu a acusação, afirmando que Flávio não entende o conceito de tortura e sugerindo que consulte sobreviventes do DOI durante a ditadura militar. No mesmo texto, Gaspari menciona um desfile de Jair Bolsonaro em Brasília como uma mera encenação.

 

 

 

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar