O pastor Silas Malafaia anunciou que pode não apoiar Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026, criticando a ideia de unir a direita em torno de um único candidato. Ele indicou preferência por nomes com mais chances, como Tarcísio de Freitas, e questionou o carisma do senador bolsonarista.
O pastor Silas Malafaia, uma voz influente entre os evangélicos conservadores, revelou publicamente sua possível recusa em apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026. Em vídeo divulgado na semana passada, ele afirmou: "Se a direita tiver um só candidato, eu vou apoiar. Se tiver mais de um, aquele que eu achar que tiver mais chance eu vou apoiar". Essa declaração expõe tensões internas na direita brasileira, onde Malafaia sugere que a candidatura de Flávio beneficia mais o clã Bolsonaro do que o conjunto do movimento.
Flávio, senador pelo Rio de Janeiro, é visto por muitos líderes cristãos como uma extensão direta do pai, Jair Bolsonaro, herdando não só o apoio da base fiel, mas também a rejeição de eleitores centristas. Esses votantes, segundo o pastor, tenderiam a optar por Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. A pré-candidatura de Flávio é criticada por simbolizar o uso político explícito da fé, especialmente após seu segundo batismo no rio Jordão na semana passada.
Recentemente, Flávio buscou aliança com o pastor André Valadão, da Lagoinha Church, mas essa aproximação ocorreu em momento inoportuno. A igreja está ligada a escândalos como os do Banco Master e da CPMI do INSS, envolvendo figuras como Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro. Zettel, líder da Lagoinha Belvedere, foi preso ao tentar fugir do país e doou generosamente às campanhas de Tarcísio e Bolsonaro em 2022. Valadão negou conexões entre sua fintech Clava Forte e o Banco Master, mas admitiu investigações sobre um membro da igreja, possivelmente Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios.
A resistência vem também de Michelle Bolsonaro, que Flávio não consultou antes de anunciar sua pré-candidatura, apesar de avisar Tarcísio. Essa omissão destaca a ascensão de Michelle como liderança independente no bolsonarismo evangélico, contrastando com a posição de Flávio.