O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, foi entregue à Polícia Federal brasileira nesta sexta-feira (26) após ser preso no Paraguai ao tentar fugir para El Salvador com um passaporte falso. Condenado a 24 anos e seis meses de prisão por participação na trama golpista de 2022, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e cruzou a fronteira com um carro alugado. Autoridades paraguaias o detiveram no aeroporto de Assunção, onde apresentou uma carta alegando câncer cerebral.
Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF durante o governo de Jair Bolsonaro, foi condenado em 16 de dezembro de 2025 pela Primeira Turma do STF a 24 anos e seis meses de prisão por integrar o núcleo 2 da trama golpista. Os crimes incluíam tentativa de golpe de Estado, elaboração da 'minuta do golpe' e ações para monitorar autoridades como o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, além de bloquear estradas para dificultar o voto de eleitores do Nordeste no segundo turno das eleições de 2022.
Ele cumpria medidas cautelares em São José (SC), com tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o país, aguardando recursos. Na noite de 24 de dezembro, Vasques saiu de seu apartamento por volta das 19h22 em um carro alugado, levando bolsas, ração e tapetes higiênicos para um pitbull. O sinal da tornozeleira falhou às 3h de 25 de dezembro, alertando a Polícia Penal de Santa Catarina e a PF, que verificaram o local às 20h e 23h, respectivamente, mas ele já havia partido rumo ao Paraguai.
No Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, Vasques foi detido na madrugada de 26 de dezembro ao tentar embarcar em voo para El Salvador, via Panamá, usando passaporte falso paraguaio em nome de Julio Eduardo Fernandez. Inconsistências na documentação levaram a uma verificação biométrica que confirmou sua identidade. Ele portava dois passaportes e uma 'Declaração Pessoal para Autoridades Aeroportuárias' em espanhol, alegando sofrer de Glioblastoma Multiforme grau IV, um câncer cerebral que o impedia de falar ou ouvir, solicitando comunicação escrita para tratamento de radiocirurgia em San Salvador. A PF informou que não há comprovação médica.
Alertado previamente pela adidância da PF no Paraguai, as autoridades locais o prenderam com apoio da Rede de Inteligência Migratória. Encapuzado e algemado, foi transportado sob escolta até Ciudad del Este e entregue à PF na fronteira com Foz do Iguaçu (PR) no início da noite. O ministro Alexandre de Moraes decretou prisão preventiva. Vasques será transferido para Brasília, onde aguardará o trânsito em julgado da condenação.