O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou nesta quinta-feira (15) a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da PM, conhecido como Papudinha, em Brasília. A decisão ocorre após reclamações da família sobre as condições de detenção e um recente traumatismo craniano leve sofrido por Bolsonaro. Políticos de esquerda ironizaram a mudança, destacando o simbolismo do local.
A transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes em despacho que rejeitou pedidos da defesa, como a instalação de uma Smart TV, argumentando que a prisão não é uma 'estadia hoteleira' ou 'colônia de férias'. Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses por liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2023, ocupará uma cela de 64,83 m² com quarto, cozinha, banheiro e área externa, mantendo itens como cama de casal, TV e água quente. O local permite banho de sol a qualquer hora e instalação de equipamentos de ginástica, além de visitas ampliadas e assistência médica permanente.
A mudança veio após queixas da família, incluindo barulho do ar-condicionado e uma queda que causou traumatismo craniano leve na semana anterior. Michelle Bolsonaro visitou o ex-presidente e agradeceu à Polícia Federal pelo cuidado com medicamentos e alimentação durante a detenção anterior. Eduardo Bolsonaro acusou Moraes de perseguição política motivada por eleições, comparando ao caso de Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar.
Políticos de esquerda exploraram o simbolismo da Papuda, que já abrigou figuras como José Dirceu, Geddel Vieira Lima e líderes do PCC. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) chamou a cela de 'luxo' e privilégio comparado a presos do 8 de Janeiro. Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que simboliza o fim da impunidade, enquanto Guilherme Boulos (PSOL) republicou vídeo de 2017 em que Bolsonaro ironizava adversários com 'a Papuda espera'. Erika Hilton (PSOL-SP) criticou, dizendo que é 'muito' para ele, citando suas próprias palavras sobre bandidos.
Preocupações com saúde surgiram: a Papudinha não tem médico 24 horas inicialmente, mas a SES-DF organiza escalas. O senador Izalci Lucas (PL-DF) alertou para riscos, comparando à morte de Cleriston Pereira da Cunha (Clezão), preso do 8 de Janeiro que faleceu em 2023 por infarto na Papuda. A distância para o hospital DF Star aumentou de 2 km (5 minutos) para 27 km (35 minutos). Moraes determinou nova perícia médica para avaliar prisão domiciliar.