A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a terceira fase da Operação Anomalia, prendendo sete policiais militares suspeitos de atuarem em benefício do crime organizado no Rio de Janeiro. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e visam combater ligações entre agentes públicos e facções como o Comando Vermelho e milícias. Todas as prisões ocorreram sem resistência.
A terceira fase da Operação Anomalia, deflagrada pela Polícia Federal em 11 de março, resultou na prisão de sete policiais militares investigados por envolvimento com tráfico de drogas e milícias no Rio de Janeiro. Os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos nas zonas Oeste e Baixada Fluminense da cidade, incluindo bairros como Taquara, Freguesia, Campo Grande e Santa Cruz, além de Nova Iguaçu e Nilópolis. Com apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro, a ação levou à detenção de todos os alvos, que foram afastados de suas funções por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a PF, os policiais utilizavam as prerrogativas da farda e da função pública para beneficiar o crime organizado. "Os elementos probatórios colhidos durante as apurações revelaram que os policiais militares alvos da operação se utilizavam das prerrogativas da farda e da função pública para atuar em benefício do crime organizado. A investigação evidenciou uma estrutura voltada não apenas à facilitação logística para o tráfico e milícias, mas também à blindagem de criminosos e à ocultação do proveito econômico ilícito", informou a corporação em nota. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, também ordenou a quebra de sigilo de dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.
Essa etapa segue prisões realizadas nos dias anteriores. Em 9 de março, na primeira fase, foi detido o delegado federal Fabrízio Romano, investigado por liderar um esquema de emissão de intimações para coagir traficantes do Comando Vermelho e exigir propinas, em parceria com advogados e o ex-secretário de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena. A defesa de Romano nega irregularidades. No dia 10, foram presos o delegado de Polícia Civil Marcus Henrique de Oliveira Alves, os agentes Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus, além do traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, por extorsão a membros do Comando Vermelho, corrupção e lavagem de dinheiro.
As investigações apuram crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e lavagem de capitais, com potencial para novas ações baseadas no material coletado.