O governo de Donald Trump propôs classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, gerando debates sobre cooperação internacional e soberania. Autoridades brasileiras divergem: o governador Tarcísio de Freitas vê oportunidade para integração de inteligência, enquanto o presidente Lula busca alternativas para evitar intervenções. A iniciativa faz parte de um plano mais amplo contra o crime transnacional na América Latina.
Em 5 de março de 2026, o governo de Donald Trump lançou uma proposta de trabalho conjunto com países latino-americanos para combater cartéis de narcotráfico, excluindo México, Brasil e Colômbia da reunião inicial com 16 nações. Dois dias depois, apresentou o programa Escudo das Américas. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou: "Os Estados Unidos estão prontos para lidar com essas ameaças e ir à ofensiva sozinhos se for necessário. Mas é nossa preferência que façamos tudo em conjunto com vocês".
Uma nota do governo Trump em 10 de março descreveu PCC e CV como ameaças significativas à segurança regional devido ao tráfico de drogas, violência e crime transnacional. Reportagem do UOL indicou que Washington decidiu classificá-los como terroristas. O Departamento de Estado prefere chamá-los de ameaça à segurança regional, sem descartar a designação terrorista.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a ideia em 11 de março, durante evento no Metrô: "A gente enxerga isso como uma oportunidade. A partir do momento que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista, e é de fato o que eles são, fica mais fácil, fica aberta a cooperação para que a gente possa integrar inteligência, para que a gente possa trazer recursos financeiros, para que a gente possa fazer um combate ainda mais efetivo".
Críticos, como em opinião na Folha, argumentam que igualar crime organizado a terrorismo é um erro conceitual, pois esses grupos carecem de objetivos políticos ou ideológicos claros, diferentemente de terroristas. Isso poderia ampliar mecanismos como bloqueio de bens e restrições de vistos, mas arriscar a soberania nacional, citando intervenções em Venezuela, onde Nicolás Maduro foi preso em Nova York.
Desde 9 de março, o presidente Lula (PT) realiza reuniões para propor cooperação focada em crime organizado, temendo brechas para intervenções americanas e exploração política por bolsonaristas. Integrantes do governo Trump consideram insuficiente, alegando que Lula protege as facções. O debate nos EUA ganhou força em 2025, influenciado por Eduardo Bolsonaro. Preocupações incluem impactos na economia brasileira e no Pix, criticado por empresas americanas de cartão de crédito.
Em novembro de 2025, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), barrou projeto para equiparar facções a terroristas no PL Antifação.