O presidente Lula elogiou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pela revogação das credenciais de um agente de imigração americano, em resposta à expulsão de um delegado brasileiro dos Estados Unidos. A medida foi tomada pelo princípio da reciprocidade após o caso envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem. Lula disse esperar diálogo para normalizar as relações.
O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, ordenou na terça-feira (21) a saída imediata do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, adido em Miami junto ao ICE (serviço de imigração). Os EUA acusaram o agente brasileiro de tentar manipular o sistema de imigração no caso da prisão de Alexandre Ramagem em Orlando, na Flórida, na segunda-feira (13). Ramagem, considerado foragido no Brasil, foi solto dois dias depois e solicitou asilo.
Em retaliação, a Polícia Federal bloqueou o acesso de um agente americano às suas bases de dados e credenciais em Brasília. Andrei Rodrigues justificou a medida pelo princípio da reciprocidade, afirmando que durará até esclarecimentos dos EUA. "Esse policial norte-americano deixa de ter acesso a algumas bases de dados", disse Rodrigues à GloboNews.
Nesta quarta-feira (22), durante a assinatura de decreto para contratar 1.000 novos policiais federais no Palácio da Alvorada, Lula parabenizou Rodrigues. "Parabéns pela sua posição com relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade. Ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles, esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar", declarou o presidente, ao lado do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
O Itamaraty criticou a ação americana por não observar "boa prática diplomática" nem diálogo prévio, conforme memorando bilateral. A pasta informou verbalmente à embaixada dos EUA sobre a reciprocidade, destacando mais de 200 anos de relações entre os países. Lula já havia mencionado a possibilidade de retaliação em Hannover, na Alemanha, na véspera.