O presidente Lula revogou o visto de Darren Beattie, conselheiro do governo americano, que pretendia visitar Jair Bolsonaro na prisão. A decisão reforça o discurso de soberania nacional e responde ao cancelamento de vistos de autoridades brasileiras pelos EUA. Apesar das tensões, o governo busca manter canais abertos com Donald Trump.
Em 13 de março de 2026, o presidente Lula (PT) determinou a revogação do visto de Darren Beattie, conselheiro do governo de Donald Trump, impedindo sua entrada no Brasil. Beattie planejava visitar Jair Bolsonaro, que cumpre pena em Brasília por tentativa de golpe de Estado, e seu filho Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência nas eleições de outubro. A medida foi justificada como resposta ao cancelamento do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), no final de 2025, e a sanções anteriores impostas por Trump.
O Itamaraty, sob o chanceler Mauro Vieira, alertou o Supremo Tribunal Federal (STF) de que a visita configuraria 'indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro', citando princípios da não-intervenção da Corte Internacional de Justiça e da Carta da OEA. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o encontro com Bolsonaro, mas recuou após o ofício de Vieira. Beattie também solicitou reunião com o ministro Kassio Nunes Marques, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para discutir o processo eleitoral, mas o plano foi frustrado.
Auxiliares de Lula expressam receio de interferência americana em favor do bolsonarismo durante as eleições de 2026, especialmente com Flávio empatado com o presidente em pesquisas recentes, como a do Datafolha. No entanto, enfatizam que o episódio pode não ter aval direto de Trump e que negociações para uma visita de Lula aos EUA prosseguem, possivelmente em abril, focando em acordos contra o crime organizado.
A ministra Gleisi Hoffmann (PT) defendeu a decisão: 'A tentativa de Darren Beattie, assessor de Donald Trump, de visitar o condenado Jair Bolsonaro, não deu certo. E agora ficará sem visto de entrada no Brasil, por decisão do presidente Lula.' Uma pesquisa Genial/Quaest de 6 a 9 de março indicou 48% de opinião desfavorável aos EUA entre brasileiros, contra 38% favorável.
As tensões bilaterais atingiram ponto baixo em 2025 com sanções econômicas ligadas a investigações contra Bolsonaro, mas Lula e Trump se aproximaram em reunião da ONU. O governo brasileiro busca equilibrar soberania e cooperação, evitando rompimento.