Desde sua transferência para a Papudinha em 15 de janeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu 27 pedidos de visitas, sendo 17 de políticos que disputarão as eleições de 2026. Vários aliados, incluindo senadores e deputados, buscam o aval de Bolsonaro para candidaturas a governos estaduais e ao Senado em diferentes estados. As visitas visam destravar acordos eleitorais regionais.
Jair Bolsonaro (PL) foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papudinha, em Brasília, em 15 de janeiro. Desde então, ele recebeu 27 pedidos de visitas, além de advogados e familiares, com 17 provenientes de nomes que disputarão as eleições de 2026, incluindo 12 cotados para governo estadual ou Senado.
Nesta quarta-feira (18), o senador Carlos Portinho (PL-RJ) visitou Bolsonaro e afirmou que não pretende se candidatar a outro cargo caso não concorra à reeleição ao Senado. "Quero ouvi-lo. É importante, é fundamental, é o maior líder nosso da direita", disse Portinho à Folha antes da visita. Ele propôs representar o PL em uma dobradinha com o governador Cláudio Castro (PL-RJ) ao Senado. Bolsonaro prometeu discutir a possibilidade com seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No mesmo dia, Bolsonaro recebeu o senador Bruno Bonetti (PL-RJ).
Portinho relatou que Bolsonaro teve um engasgo durante a conversa, resultando em soluços, e que sua fala estava mais pausada que o habitual, parecendo grogue e desnorteado ao andar.
Outras visitas incluem o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) em 7 de fevereiro, próximo ao clã Bolsonaro, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que discutiu candidaturas ao Senado, defendendo um nome de centro além do deputado Guilherme Derrite (PP), cuja visita está marcada para 25 de fevereiro, autorizada por Alexandre de Moraes, relator no STF.
Em Goiás, o senador Wilder Morais visitou em 14 de fevereiro buscando apoio nominal. No Rio Grande do Sul, o deputado Ubiratan Sanderson (PL) planeja discutir sua candidatura ao Senado em 21 de fevereiro: "Sou o candidato ao Senado indicado por ele". No Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL) agendou para março. Outros estados envolvidos são Rondônia, Minas Gerais, Paraíba, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
O ministro Alexandre de Moraes negou visitas de Valdemar Costa Neto (PL), presidente do partido, e do senador Magno Malta (PL-ES), ambos investigados ou sem autorização.