Ex-ministros de Bolsonaro divulgam vídeo pedindo votos para Flávio

Dois ex-ministros do governo Bolsonaro, Gilson Machado e Marcelo Queiroga, postaram um vídeo nas redes sociais pedindo apoio a Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026. Especialistas em direito eleitoral consideram a ação como propaganda antecipada, irregular pela lei brasileira. O deputado Lindbergh Farias acionou o TSE contra a publicação.

Em 17 de fevereiro de 2026, Gilson Machado, ex-ministro do Turismo, e Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde, divulgaram um vídeo nas redes sociais no qual aparecem juntos incentivando votos para Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República.

No vídeo, Machado declara: "a gente tem que correr atrás da eleição de Flávio Bolsonaro no Nordeste neste ano". Queiroga complementa: "Agora, em 2026, olha, você que é admirador de Jair Bolsonaro, você vota no Flávio Bolsonaro".

De acordo com a legislação eleitoral brasileira, as campanhas oficiais iniciam-se apenas após 15 de agosto do ano eleitoral. Qualquer pedido de voto antes dessa data configura propaganda eleitoral antecipada, sujeita a multa entre R$ 5.000 e R$ 25.000, ou o equivalente ao custo da propaganda se superior.

Queiroga, ao ser contatado pela Folha, negou que o vídeo seja propaganda, descrevendo-o como uma "manifestação de opinião política em um contexto geral". Ele argumentou que não há pedido explícito de voto, referência a cargo ou período eleitoral específico, e invocou o direito constitucional de expressão.

Machado e seu partido, o Podemos, não responderam aos contatos da reportagem.

Especialistas divergem. O ex-ministro do TSE Marcelo Ribeiro afirmou que há "nitidamente" caráter de propaganda antecipada, mesmo sem menção ao cargo, pois a pré-candidatura de Flávio é "público e notório". Já o professor Delosmar Mendonça Junior, da Abradep, indicou que o vídeo pode ser enquadrado como tal, com pedido direto e motivação ao eleitor, recomendando multa em caso de representação ao TSE.

Dois dias antes, em 15 de fevereiro, Machado postou uma imagem afixando um adesivo em uma moto com a frase "O Nordeste está com Flávio Bolsonaro 2026". Em resposta, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou no TSE, em 18 de fevereiro, uma representação acusando prática de propaganda irregular. Farias pediu a remoção do conteúdo, aplicação de multa e encaminhamento ao Ministério Público Eleitoral para investigar abuso de poder político e uso indevido de meios de comunicação.

Machado reagiu nas redes, chamando a ação de "cortina de fumaça" para desviar atenção de um desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula, ocorrido em 15 de fevereiro. O TSE havia rejeitado barrar o samba-enredo em 12 de fevereiro, mas alertou sobre riscos eleitorais. O partido Novo planeja ação por inelegibilidade de Lula.

Artigos relacionados

Senator Flávio Bolsonaro at podium with father Jair Bolsonaro's support, announced as 2026 presidential candidate; inset of Javier Milei endorsing.
Imagem gerada por IA

Flávio Bolsonaro é escolhido como candidato presidencial para 2026

Reportado por IA Imagem gerada por IA

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira (5) que foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidato à Presidência da República em 2026. A decisão reforça a influência da família no campo bolsonarista e gera reações no PT, que vê benefícios para Lula. No sábado (6), o presidente argentino Javier Milei manifestou apoio à pré-candidatura.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026, publicou um vídeo neste sábado (17) pedindo união entre lideranças da direita após recentes trocas de farpas públicas. Ele elogiou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de outros governadores aliados. Flávio defendeu a necessidade de foco comum contra o governo Lula, sem ataques internos.

Reportado por IA

Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada neste domingo indica que 49% dos eleitores acreditam que o senador Flávio Bolsonaro manterá sua pré-candidatura à Presidência até o fim. A crença é maior entre bolsonaristas, enquanto lulistas veem o anúncio como tática de negociação. A decisão ocorre em meio a movimentos familiares que geram interpretações no centrão sobre possíveis recuos.

Uma pesquisa divulgada no início de 2026 mostra o presidente Lula à frente em cenários eleitorais, com Tarcísio de Freitas como o único opositor a empatar no segundo turno. O levantamento destaca a persistência da polarização entre Lula e o bolsonarismo, sem espaço claro para uma terceira via. Analistas apontam que a eleição será decidida por rejeições, em meio a desafios como fadiga dos incumbentes e efeitos de condenações judiciais.

Reportado por IA

Desde sua transferência para a Papudinha em 15 de janeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu 27 pedidos de visitas, sendo 17 de políticos que disputarão as eleições de 2026. Vários aliados, incluindo senadores e deputados, buscam o aval de Bolsonaro para candidaturas a governos estaduais e ao Senado em diferentes estados. As visitas visam destravar acordos eleitorais regionais.

O Partido Liberal (PL) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a produção antecipada de provas para investigar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula durante o carnaval no Rio de Janeiro. A legenda alega que a apresentação constituiu uma peça de marketing político e busca elementos para uma ação por abuso de poder. O governo federal tomou medidas para evitar questionamentos eleitorais.

Reportado por IA

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou em um jantar com empresários na Faria Lima, em São Paulo, na noite de 23 de fevereiro de 2026, que não há espaço para uma terceira via nas eleições presidenciais de 2026, prevendo um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ao lado do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, ele defendeu a união da direita no primeiro turno e criticou erros da campanha de 2022. Os líderes também prometeram barrar um projeto trabalhista na Câmara.

 

 

 

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar