A base aliada do governo Lula apresentou nesta sexta-feira (27/3) um relatório alternativo na CPMI do INSS, solicitando o indiciamento de 130 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por fraudes bilionárias em aposentadorias. O documento contraria o relatório oficial do relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), que pede indiciamento de 216 nomes, entre eles o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). A votação deve ocorrer até sábado (28/3).
Na CPMI do INSS, instalada para investigar descontos indevidos em aposentadorias revelados por reportagens do Metrópoles desde dezembro de 2023, o relator Alfredo Gaspar apresentou nesta sexta-feira (27/3) seu relatório final, pedindo indiciamento de 216 pessoas. Entre os alvos estão dois ex-ministros da Previdência, um senador, três deputados federais e um estadual, além de Lulinha, supostamente ligado ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS'.
Em resposta, a base governista, liderada pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), divulgou um relatório alternativo solicitando indiciamento de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e outras 129 pessoas por um esquema que atingiu cerca de 5 milhões de aposentados e pensionistas. O texto inclui Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Antunes como operador. Pimenta afirmou haver 'conexão direta' entre as fraudes no INSS, o Banco Master e o governo Bolsonaro, apelidando-o de 'BolsoMaster'. 'Jair Messias Bolsonaro é o chefe da organização criminosa', disse o deputado.
Flávio Bolsonaro reagiu por nota, chamando o relatório de tentativa 'desesperada' para desviar atenção de Lula e Lulinha. A base governista acionou aliados para rejeitar o parecer de Gaspar e aprovar o alternativo, pedindo presença em Brasília até sábado. O governo exonerou o ministro Carlos Fávaro para que ele assuma vaga na comissão, substituindo a bolsonarista Margareth Buzetti.
O relatório alternativo também cita omissão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na fiscalização do Banco Master. Após derruba de liminar pelo STF, a CPMI deve votar até 28/3.