Investigações ligam Lulinha a escândalo de fraudes no INSS

A Polícia Federal investiga possíveis ligações de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, com um esquema de fraudes no INSS que desviou R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A operação Sem Desconto aponta para uma suposta sociedade oculta com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O sigilo bancário de Lulinha foi quebrado, revelando movimentações de R$ 19,5 milhões em quatro anos.

A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal em parceria com a CGU, apura um esquema de fraudes no INSS envolvendo descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, por entidades de fachada que prometiam serviços como convênios médicos ou auxílio funerário. O esquema teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários entre 2019 e 2024. O modelo de descontos está previsto em lei desde 1991, mas cresceu desproporcionalmente a partir de 2019 e se agravou em 2022, quando o Congresso eliminou a exigência de revalidação periódica das autorizações.

O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi preso preventivamente em novembro de 2024 por manter servidores ligados ao grupo em cargos estratégicos, apesar de denúncias internas. Ele nega participação direta. As investigações chegaram a Lulinha por meio do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso em setembro de 2024 e apontado como operador central do esquema.

Uma testemunha, Edson Claro, ex-funcionário de Antunes, relatou à PF que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do lobista, além de ter recebido 25 milhões —sem especificar a moeda— e feito viagens com ele a Portugal. Mensagens apreendidas mostram Antunes transferindo R$ 300 mil a uma empresa de Roberta Luchsinger, empresária próxima a Lulinha, referindo-se ao destinatário como "o filho do rapaz". Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão em parcelas de uma empresa de fachada ligada a Antunes. Sua defesa afirma que os valores decorrem de um projeto inicial em canabidiol, sem relação com o INSS e anterior às revelações das fraudes.

O sigilo bancário, fiscal e telemático de Lulinha foi quebrado por ordem do ministro André Mendonça, do STF, a pedido da PF, motivado por citações nas investigações. A CPI mista do INSS também aprovou a medida, mas o ministro Flávio Dino suspendeu a quebra por falta de fundamentação individualizada na votação. Antes do vazamento, dados mostraram que Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em uma conta no Banco do Brasil entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, com R$ 9,774 milhões em entradas e R$ 9,758 milhões em saídas. Desses, R$ 721 mil vieram de transferências do presidente Lula, e a maior parte das entradas de rendimentos de suas empresas LLF Tech Participações e G4 Entretenimento e Tecnologia.

A defesa de Lulinha qualificou o vazamento como crime grave. O presidente Lula afirmou que ninguém ficará livre de investigação, incluindo seu filho, e relatou ter cobrado explicações pessoais de Lulinha, que se disse "100% tranquilo".

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