A Polícia Federal deflagrou operação contra a Amprev, fundo de previdência de servidores do Amapá, por investimentos irregulares no Banco Master, liquidado por fraudes. O diretor-presidente da entidade, indicado pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre, foi alvo de buscas. A ação expõe conexões políticas no escândalo que já custa bilhões ao erário público.
Na sexta-feira (6), a Polícia Federal realizou a operação Zona Cinzenta, com quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, para investigar aportes de R$ 400 milhões da Amprev em letras financeiras do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O fundo estadual registrou prejuízo de R$ 25 milhões em ações da Ambipar, ligada ao esquema de fraudes que levou à liquidação do banco em 18 de novembro de 2025.
O diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, indicado por Alcolumbre (União Brasil-AP) e ex-tesoureiro de sua campanha em 2022, foi o principal alvo. A ação segue operação similar no Rioprevidência (RJ) em janeiro, onde um dirigente foi preso por ignorar alertas sobre os investimentos arriscados. Ao todo, 19 fundos de previdência públicos de estados e municípios aplicaram R$ 1,8 bilhão em títulos do Master, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), expondo aposentados a perdas.
O escândalo envolve o BRB (Banco de Brasília), que tentou comprar carteiras falsas de R$ 12,2 bilhões do Master, e custará cerca de R$ 50 bilhões ao FGC, pagos indiretamente pelo público. Há suspeitas de falhas na fiscalização pelo Banco Central e CVM. Políticos de diversos espectros expressam incômodo, com pressões para abafar o caso, mas o presidente Lula determinou investigações até o fim. A CPI Mista do INSS marcou depoimento de Vorcaro para 26 de fevereiro, com pedido ao STF para transporte em jatinho por segurança.
"A operação da PF mostrou o contrário [de abafar o caso]", comentou uma fonte em Brasília, destacando que as investigações avançam para conexões com bets e congressistas. O TCU concluiu inspeção favorável à conduta do BC na liquidação.