O Banco de Brasília (BRB) planeja entregar ao Banco Central até esta sexta-feira (6) um plano de capital para lidar com as perdas decorrentes da suposta fraude em carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. O plano inclui opções como criação de fundo imobiliário, empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e aporte do Governo do Distrito Federal. Em paralelo, o presidente do BRB deve se reunir com deputados distritais para explicar o impacto da crise.
O Banco de Brasília (BRB), instituição estatal do Distrito Federal, enfrenta uma crise financeira agravada pela tentativa frustrada de aquisição de participação no Banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Em janeiro de 2026, o BC determinou que o BRB provisionasse R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas em R$ 12,2 bilhões de operações de crédito supostamente fraudulentas compradas do Master. A Polícia Federal investiga o caso na Operação Compliance Zero.
Para recompor o balanço até o fim de março, quando divulgará resultados ao mercado —já que tem ações na B3—, o BRB iniciou a venda de ativos e prepara um plano de capitalização. Opções incluem a criação de um fundo imobiliário, empréstimo junto ao FGC com garantias do GDF e aporte direto do governo controlador. O banco deve apresentar o plano ao BC até 6 de fevereiro.
Em meio à pressão, o presidente Nelson Antônio de Souza pretende se reunir com deputados da Câmara Legislativa do DF nos próximos dias. A expectativa é que ele detalhe o impacto estimado —o diretor do BC, Ailton de Aquino, mencionou um rombo de pelo menos R$ 5 bilhões em depoimento— e as medidas em curso, como investigação independente. O encontro é articulado com o governo Ibaneis Rocha (MDB), que busca aprovação legislativa para soluções como o empréstimo do FGC.
Antes da aprovação da operação em março de 2025, o departamento jurídico do BRB alertou o conselho sobre a liquidez do Master, em parecer de 24 de março assinado por Jacques Veloso de Melo. O documento enfatizava a importância dos índices de liquidez e Basileia para a solidez financeira, mas a compra foi aprovada por unanimidade em 28 de março. O BC vetou o negócio em setembro de 2025, citando riscos de sucessão.
O ex-presidente Paulo Henrique Costa, afastado após a prisão de Vorcaro, defendeu a diligência em depoimento, afirmando que 11 áreas internas analisaram a viabilidade. No entanto, o Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa na liquidação, e depósitos inferiores a 1% do exigido.