A Polícia Federal investiga 36 empresas que tomaram empréstimos suspeitos do Banco Master, totalizando R$ 18,8 bilhões repassados a fundos geridos pela Reag. Desses, 23 atuam no setor imobiliário, ligado à trajetória do banqueiro Daniel Vorcaro. Paralelamente, o FGC inicia pagamentos de R$ 40,6 bilhões a 800 mil credores, enfrentando instabilidade em seu aplicativo.
A lista de 36 empresas que captaram empréstimos do Banco Master e os direcionaram para os fundos DMais e Bravo, geridos pela Reag, foi revelada em meio à Operação Carbono Oculto da Polícia Federal. Ao todo, R$ 10,405 bilhões foram repassados ao DMais e R$ 8,379 bilhões ao Bravo, somando R$ 18,8 bilhões em operações suspeitas de fraude bilionária. Dentre as companhias, 23 estão no ramo imobiliário, hotelaria e construção, áreas associadas à família de Daniel Vorcaro, presidente do banco preso na investigação.
Vorcaro, que atuou por oito anos no Grupo Multipar de seu pai, nega irregularidades por meio de sua defesa: "O Banco Master era submetido a auditorias independentes, supervisão permanente do Banco Central e a rotinas de fiscalização contínuas". A defesa afirma que as apurações afastarão premissas infundadas.
Empresas como Brain Realty, com capital de R$ 2 milhões, captaram quase R$ 500 milhões sem uso interno, direcionando para os fundos. Outras, como Malibu Construtora, Revee Real Estate e WAM Hotéis, foram contatadas pela Folha; algumas negam envolvimento. A Daus Alimentos encerrou relações com a Reag em outubro de 2025. A iFLY, de entretenimento, e a Lever Securitizadora, de títulos, afirmam operações regulares e independentes. A Revolution do Brasil e WAM negam esquemas ilícitos, destacando conformidade com o mercado.
Em paralelo, no dia 17 de janeiro de 2026, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou pagamentos de garantias aos credores do Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank. Com 140 mil acessos simultâneos, o app sofreu instabilidade, mas o FGC prevê normalização. São 800 mil beneficiados, recebendo R$ 40,6 bilhões – o maior resgate da história da entidade.
A investigação avança com decisões do ministro Dias Toffoli, do STF, que transferiu a custódia de provas à PGR, sob Paulo Gonet. A ADPF criticou as medidas como atípicas, defendendo a autonomia da PF. A CVM monitora o mercado sem comentar casos específicos.