Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro do Banco Master, é o dono do fundo de investimento que adquiriu parte da participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná. A transação ocorreu em meio a investigações sobre fraudes no banco, com Toffoli atuando como relator do caso no STF. Apesar das ligações familiares, Toffoli não tem participação direta no empreendimento.
O fundo Leal, controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, comprou a participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, localizado no litoral do Paraná. De acordo com documentos obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo e reportados pelo Metrópoles, a fatia valia R$ 6,6 milhões na época da transação, entre 2021 e 2025, período em que Zettel foi o único cotista do fundo. A família de Toffoli era acionista majoritária, mas o ministro do STF não possui envolvimento direto.
A conexão ganha relevância porque Toffoli é o relator no Supremo do inquérito que investiga o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 por suspeitas de emissão de títulos falsos. A defesa de Vorcaro pediu a transferência do caso para o STF. Além do Leal, outro fundo ligado a Zettel investiu cerca de R$ 20 milhões no resort, permitindo que ele se tornasse sócio indireto.
Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, na Operação Compliance Zero, revelam que o Master usava fundos como o Arleen para simular operações e inflar ativos, com indícios de lavagem de dinheiro e uso de laranjas. Zettel foi preso temporariamente ao tentar embarcar para Dubai, e Toffoli autorizou quebras de sigilo de 2020 a 2025. A defesa de Vorcaro nega qualquer irregularidade, afirmando colaboração com as autoridades e que associações com os fundos não correspondem à realidade. O atual proprietário do Tayayá é Paulo Humberto Barbosa, que adquiriu a parte da família Toffoli por R$ 3,5 milhões em fevereiro de 2025.
O Metrópoles não conseguiu contato com Toffoli ou familiares para posicionamento. A defesa de Zettel destaca que suas atividades empresariais são lícitas e sem relação com o Master.