O ministro Dias Toffoli, do STF, devolveu à Justiça Federal de São Paulo uma denúncia do Ministério Público Federal contra o empresário Nelson Tanure, acusado de uso de informações privilegiadas na Gafisa. Toffoli determinou que não há relação com investigações sobre o Banco Master. A juíza de primeira instância aceitou a denúncia e tornou Tanure réu.
Decisão de Toffoli
Nesta terça-feira, 28 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), devolveu à 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo uma denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o empresário Nelson Tanure. A acusação envolve o uso de informações privilegiadas (insider trading) na operação de aquisição da incorporadora Upcon pela construtora Gafisa, entre 2019 e 2020.
Toffoli, relator das investigações sobre o Banco Master no STF, afirmou em seu despacho que não há conexão entre o caso da Gafisa e as apurações envolvendo o banco de Daniel Vorcaro, apontado como braço financeiro de Tanure. A denúncia havia sido remetida ao STF há pouco mais de uma semana, no final de dezembro de 2025.
Aceitação da denúncia
Assim que o processo retornou à primeira instância, a juíza Maria Isabel do Prado aceitou a denúncia e tornou Tanure réu. De acordo com o MPF, Tanure e o empresário Gilberto Benevides praticaram insider trading para inflar o valor de mercado da Upcon. Eles teriam realizado movimentações financeiras, incluindo um aumento de R$ 150 milhões no capital social da Upcon dias antes da avaliação, elevando seu valor em quase 1.400%.
Na época, Tanure era acionista relevante da Gafisa e membro do conselho de administração desde abril de 2019. Benevides controlava a Upcon. As operações envolveram offshores em paraísos fiscais e o fundo Singular Plus para ocultar participações e viabilizar garantias.
Resposta da defesa
A defesa de Tanure classificou a denúncia como 'açodada'. O advogado Pablo Naves Testoni afirmou em nota: "O empresário Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure lastima mais uma vez a açodada denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal e tem certeza de que os fatos serão esclarecidos no bojo do processo."
Os advogados destacam que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não apontou ilicitude na operação, o delegado da Polícia Federal não encontrou indícios de crime, e a transação foi debatida pelos acionistas da Gafisa. Tanure, investidor em empresas como Prio, Dia e Gafisa, foi alvo de buscas da PF na Operação Compliance Zero em janeiro de 2026, que investiga o Banco Master por gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
O caso prossegue na Justiça de São Paulo, sem vínculo imediato com as investigações do STF sobre o Master.