A Operação Compliance Zero da Polícia Federal investiga um esquema de fraudes bilionárias no Banco Master, gerando uma fila de pedidos de acesso aos autos no gabinete do ministro Dias Toffoli, no STF. Parentes do banqueiro Daniel Vorcaro estão sob escrutínio por um projeto de créditos de carbono no Amazonas. Advogados relatam atrasos na autorização para consultar o processo sigiloso.
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, expõe um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, com bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. Na segunda fase, em 14 de janeiro, foram cumpridos mais de 40 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além de ordens de sequestro.
A primeira etapa ocorreu em novembro do ano passado, com cinco prisões preventivas — incluindo a de Daniel Vorcaro, posteriormente solto —, duas prisões temporárias e 25 buscas. O inquérito, sigiloso, tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
Com o aumento de investigados, advogados contratados enfrentam filas no gabinete de Toffoli para acessar os autos. André Callegari, representando Henrique Vorcaro (pai de Daniel), Natália Vorcaro (irmã) e Thiago Assumpção, aguarda autorização. “Segundo informações que obtive, há uma série de pedidos de acesso aos autos que aguardam o deferimento pelo ministro”, disse Callegari à VEJA.
Henrique e Natália são sócios de empresa que investiu em projeto de créditos de carbono em 145 mil hectares no Amazonas, entre 2022 e 2024. Mais da metade da área sobrepõe-se a terras públicas, contestadas pelo Incra, inviabilizando a exploração. O negócio envolveu cotas de fundo da Reag, liquidada pelo Banco Central após as investigações.