Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou à Polícia Federal ter fraudado carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões vendidas ao BRB, afirmando não saber quais eram bons ou ruins. As carteiras, adquiridas da consultoria Tirreno, teriam origem em empréstimos consignados via associações de servidores da Bahia, mas indícios apontam para forjamento para inflar o balanço do banco. O depoimento ocorreu em 30 de dezembro de 2025 no STF, sob relatoria de Dias Toffoli.
Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Ele negou qualquer fraude em carteiras de crédito avaliadas em R$ 12,2 bilhões, vendidas ao Banco de Brasília (BRB) em meio a dificuldades de liquidez da instituição. As carteiras foram adquiridas pelo Master da consultoria Tirreno, com suposta origem em operações de empréstimo consignado firmadas por associações de servidores públicos da Bahia.
Investigações do Banco Central (BC), Ministério Público Federal (MPF) e PF indicam que os créditos foram forjados, envolvendo CPFs de diversas localidades sem movimentações financeiras compatíveis nas associações. Vorcaro afirmou: 'Eu não sei quais créditos são bons ou são ruins, têm documentos ou não. Eu não tenho como saber que não foi o banco que originou. E o negócio não foi realizado, afinal. Então, não existiu ação criminosa minha em nenhum momento e nem do banco'.
O banqueiro relatou que o BC solicitou detalhes da origem dos créditos em março de 2025, e em abril o Master pressionou a Tirreno por documentação. Em maio, ao constatar a falta de documentos, o contrato foi desfeito, e não houve mais negociações com a Tirreno. Os recursos destinados ao pagamento ficaram em conta escrow, sem liberação efetiva. Vorcaro alegou não dominar detalhes da operação de consignado na época e que o banco agiu com zelo, sem classificar a transação como venda até ter convicção da documentação completa.
O depoimento precedeu acareação com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Toffoli determinou audiências de outros oito investigados nos dias 26 e 27 de janeiro de 2026, na Operação Compliance Zero, para avançar nas apurações e proteger o sistema financeiro. O caso Master envolve fraudes bilionárias e ramificações políticas, com a imprensa destacando o papel crucial em expor conflitos de interesse no Judiciário, como ligações com familiares de ministros do STF.
A liquidação do Will Bank, controlado pelo Master e com 12 milhões de clientes de baixa renda, gerou dúvidas sobre ressarcimento. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estima R$ 6,3 bilhões para investidores, mas contas de pagamento pré-pagas não se enquadram, com devolução via depósitos no BC sem limite por cliente.