Um juiz federal da Flórida reconheceu nesta quinta-feira (8) o processo de liquidação do Banco Master no Brasil, determinando o bloqueio de ativos da instituição nos Estados Unidos. A decisão representa uma derrota para o banqueiro Daniel Vorcaro, que tentava barrar o reconhecimento alegando possível reversão pelo TCU. O caso envolve acusações de fraude bilionária e repercute em órgãos como Banco Central e Polícia Federal.
O juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, atendeu a um pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante nomeada pelo Banco Central do Brasil, para reconhecer a liquidação do Banco Master. A decisão suspende ações ou execuções contra bens de Vorcaro e seus sócios nos EUA, garantindo autonomia ao processo brasileiro. "O processo de liquidação está pendente no Brasil, bem como os interesses principais dos envolvidos", escreveu o magistrado.
Vorcaro, preso em novembro de 2025 pela Polícia Federal sob suspeita de fraude estimada em R$ 12 bilhões, argumentou que a liquidação poderia ser revertida no TCU, citando uma inspeção suspensa pelo relator Jhonatan de Jesus nesta quinta-feira. O ministro justificou o recuo pela "dimensão pública assumida pelo caso", submetendo a questão ao plenário do TCU, previsto para 21 de janeiro.
O Banco Master, controlado por Vorcaro desde 2019 após aquisição do Banco Máxima, cresceu com vendas agressivas de CDBs a 120% do CDI em agosto de 2025. Uma tentativa de venda ao BRB foi rejeitada pelo BC em setembro. A liquidação, decretada horas após a prisão de Vorcaro, foi motivada por crise de liquidez e violações normativas, exigindo do FGC o maior resgate da história: R$ 41 bilhões para 1,6 milhão de credores.
Investigações apontam emissão de títulos falsos, incluindo carteiras de crédito consignado inexistentes, usadas para inflar o balanço via negócio com o BRB. Uma proposta de compra pela Fictor Holding, com aporte de R$ 3 bilhões de investidores dos Emirados Árabes, foi vista como tentativa de fuga. Estados e municípios enfrentarão rombos em fundos de previdência, com R$ 1,8 bilhão investidos em Letras Financeiras não garantidas pelo FGC, cobertos por tesouros locais conforme o Ministério da Previdência.
O caso envolve conexões políticas de Vorcaro com figuras como Michel Temer, ex-presidentes do BC e ministros do STF, além de ataques digitais de 46 perfis contra o BC. O liquidante agora pode examinar testemunhas e coletar provas nos EUA sobre ativos do grupo, incluindo LetsBank e Master SA Corretora.