O senador Renan Calheiros afirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ex-presidente Arthur Lira pressionaram membros do TCU para reverter a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. A acusação surge em meio a um processo no tribunal que questiona a supervisão do BC sobre a instituição. Lira negou as alegações, chamando-as de fake news.
Em declaração dada ao Metrópoles nesta segunda-feira (19/1), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) revelou ter recebido informações de que Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara dos Deputados, e Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Casa, atuaram para influenciar membros do Tribunal de Contas da União (TCU) no caso do Banco Master. A liquidação extrajudicial da instituição, controlada por Daniel Vorcaro, foi anunciada pelo Banco Central em novembro passado, motivada por uma grave crise de liquidez e pelo comprometimento de sua situação econômico-financeira, além de violações a normas do Sistema Financeiro Nacional.
O processo chegou ao TCU após o Ministério Público junto ao tribunal apontar suspeitas de falhas na supervisão do BC. A relatoria ficou com o ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado pelo Republicanos e indicado ao cargo pela Câmara dos Deputados, com apoio de Motta e Lira na época. Renan, que é adversário político de Lira em Alagoas, indicou que a pressão visava reverter a decisão do BC no âmbito do processo relatado por Jhonatan e em outros casos relacionados. Em um despacho, o ministro sugeriu reavaliação: “Não se descarta que venha a ser apreciada, em momento oportuno, providência cautelar voltada à preservação do valor da massa liquidada e da utilidade do controle externo”.
Arthur Lira rebateu as acusações em contato com o Metrópoles, afirmando que Renan Calheiros "tem se especializado em criar fake news" e "ataca sem provas seus adversários". A assessoria de Hugo Motta não se manifestou até o momento. Em resposta ao caso, Renan, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, criou na última semana um grupo de trabalho para acompanhar as investigações sobre o Banco Master. O grupo poderá convocar envolvidos, requisitar informações e propor iniciativas legislativas relacionadas ao tema, visando um acompanhamento efetivo no colegiado.