O ministro Dias Toffoli, relator do inquérito sobre a fraude de R$ 12 bilhões envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, elaborou 81 perguntas detalhadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, interrogado em 30 de dezembro. As questões exploram transações suspeitas, falhas na supervisão do Banco Central e possíveis ligações políticas. Toffoli retirou o sigilo dos depoimentos para avançar nas investigações.
O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master veio à tona com a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, após a detecção de irregularidades em carteiras de crédito falsificadas. A transação fraudulenta quase causou prejuízo de R$ 12,2 bilhões ao BRB, acionista majoritário controlado pelo governo do Distrito Federal, forçando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a injetar mais de R$ 40 bilhões para ressarcir credores até R$ 250 mil cada.
Como relator no Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli direcionou 81 perguntas a Daniel Vorcaro, figura central no banco, cobrindo sua posição decisória entre 2023 e novembro de 2025, comunicações com o Banco Central e operações com empresas como DPI Soluções e Pagamentos, Tirreno Consultoria e Cartos Sociedade de Crédito Direto. Entre as indagações, Toffoli questiona se Vorcaro solicitou intervenções políticas junto ao BC em favor do Master e se houve doações eleitorais a candidatos do DF. Uma autoridade com foro privilegiado mencionada é o governador Ibaneis Rocha (MDB), potencialmente investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
No dia 29, Toffoli rebateu críticas à sua condução do caso, afirmando em nota a 'absoluta necessidade da realização de diligências urgentes' para proteger o sistema financeiro. As perguntas destacam falhas na supervisão: por exemplo, se o BC detectou irregularidades nas carteiras da DPI e Tirreno por iniciativa própria ou via terceiros, e por que interrompeu fiscalizações após descobrir falsificações em fevereiro de 2025. Vorcaro é questionado sobre reuniões com Henrique Peretto, da Cartos, e a ausência de movimentações financeiras na Tirreno, apesar de aquisições de R$ 6,7 bilhões em créditos.
O inquérito pode revelar conexões mais amplas, incluindo transferências de R$ 16,7 bilhões do BRB ao Master entre julho de 2024 e outubro de 2025, e bens de Vorcaro no exterior. Toffoli indicou que avaliará se o caso permanece no STF ao fim da apuração.