A Polícia Federal executou nesta quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, com 42 mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao Banco Master, incluindo o dono Daniel Vorcaro e o empresário Nelson Tanure. A ação resultou na prisão temporária do cunhado de Vorcaro e na apreensão de bens avaliados em milhões. O ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, criticou a PF por atrasos, mas reconsiderou decisões sobre as provas.
A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026, investigou fraudes bilionárias no Banco Master, considerado pela ministra da Fazenda, Fernando Haddad, como possivelmente a maior da história do Brasil. Autorizada pelo ministro Dias Toffoli do STF, a ação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, mirando Daniel Vorcaro, proprietário do banco liquidado extrajudicialmente, o empresário Nelson Tanure, João Carlos Mansur, da gestora Reag, e outros 39 alvos.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso temporariamente ao tentar embarcar para Dubai em um jatinho. A PF apreendeu R$ 645 mil em espécie, 23 veículos avaliados em R$ 16 milhões, 39 celulares, 31 computadores e 30 armas, além de bloquear bens no valor de R$ 5,7 bilhões. As investigações focam em fundos de investimento usados para inflar o patrimônio do banco via ciranda financeira, incluindo ativos podres como cártulas do extinto Besc.
Toffoli, que assumiu a relatoria em 3 de dezembro de 2025 após recurso de Vorcaro citando foro privilegiado de um deputado, impôs sigilo ao inquérito e criticou a PF por demora na execução, exigindo explicações em 24 horas do diretor-geral Andrei Rodrigues. A PGR solicitou as medidas em 6 de janeiro, autorizadas no dia 7, mas a operação só ocorreu no dia 14 devido a preparações operacionais, como atualização de endereços e avaliação de riscos, segundo a PF. Inicialmente, Toffoli determinou que as provas ficassem lacradas no STF, mas reconsiderou e ordenou envio à PGR a pedido de Paulo Gonet, permitindo análise imediata.
Conexões de Tanure envolvem Maurício Quadrado, ex-sócio do Master e dono da Trustee DTVM, citada em investigações de manipulação de mercado na Upcom/Gafisa e Ambipar. Empresas ligadas a Tanure tiveram dia misto na Bolsa: Gafisa e Alliança caíram, enquanto Light e Prio subiram. Após a operação, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reuniu-se com Rodrigues para reforçar cooperação institucional.
O caso expõe tensões entre STF, PF, BC e TCU, com críticas à conduta de Toffoli por suposta inércia, mas interlocutores veem na ação uma mensagem de continuidade da investigação.