A bancada do Partido Novo apresentou nesta segunda-feira (26) uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República contra o ministro Dias Toffoli, do STF, por suposta interferência atípica no inquérito do Banco Master. O partido também solicitou investigação da Polícia Federal sobre a atuação do magistrado. Os parlamentares questionam decisões do ministro e ligações familiares com um resort envolvido no caso.
A bancada do Partido Novo no Congresso acionou, em 26 de janeiro de 2026, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) com uma notícia-crime e uma comunicação de fatos contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os documentos alegam 'interferência atípica' do magistrado na condução do inquérito sobre o Banco Master, que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro.
Toffoli é o relator do caso no STF, onde o inquérito tramita com o segundo maior grau de sigilo, ocultando até informações básicas como a lista de advogados envolvidos. Na semana anterior, o procurador-geral Paulo Gonet arquivou um pedido de impedimento e suspeição de Toffoli, motivado por uma viagem de jatinho que o ministro fez com o advogado Augusto Botelho, defensor de um diretor do banco.
O Partido Novo pede que a PF investigue, por exemplo, a real titularidade do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), que já pertenceu em parte aos irmãos de Toffoli. Outras decisões do ministro são questionadas, como a marcação de uma acareação entre o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Diante de críticas, Toffoli recuou, deixando a participação de Aquino a cargo da PF.
Recentemente, o ministro limitou depoimentos da PF a dois dias: 26 e 27 de janeiro. A representação é assinada pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP), presidente do partido, pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) e pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE).
"A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal precisam agir com independência e cumprir seu dever constitucional. A sociedade exige uma resposta clara das instituições de Estado. Este não é um caso que vai ser varrido para debaixo do tapete", afirmou van Hattem.
Os parlamentares sustentam que a conduta de Toffoli pode configurar crimes como gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, além de violações administrativas aos princípios de legalidade, impessoalidade e moralidade.