A família de Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao Banco Master, controla 80% de um projeto de créditos de carbono em terras públicas na Amazônia, que inflou fundos de investimento em mais de R$ 45,5 bilhões de forma irregular. Documentos revelam a participação da Alliance Participações, gerida pelo pai e pela irmã de Vorcaro, em um esquema investigado pela Polícia Federal. Paralelamente, o BRB planeja vender ativos recuperados do Master para fortalecer sua posição financeira.
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novos detalhes com a revelação de que a família de Daniel Vorcaro é proprietária majoritária de um projeto de créditos de carbono na Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí (AM), uma área pública da União destinada à reforma agrária. A Alliance Participações, controlada por Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, e Natália Bueno Vorcaro Zettel, sua irmã, adquiriu 80% dos direitos sobre as unidades de carbono em agosto de 2022, por meio de um contrato de opção de compra e venda assinado com o fazendeiro Marco Antônio de Melo e o intermediário José Antônio Ramos Bittencourt. Bittencourt recebeu 2,5% das cotas do fundo New Jade 2 e 7,5% do Biguaçu como pagamento, ambos administrados pela Reag e ligados a fundos fraudulentos identificados pelo Banco Central. Um relatório da Unesp estimou 168,872 milhões de toneladas de CO₂ na propriedade em 2023, usando um método não aplicado no mercado, o que permitiu inflar o valor das empresas Global Carbon e Golden Green para R$ 31 bilhões e R$ 14,5 bilhões, respectivamente, sem vendas reais de créditos. Esses valores fictícios sustentaram uma ciranda financeira que desviou recursos do Master, permitindo a venda de CDBs. A Polícia Federal investiga o caso na Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. Henrique e Natália, por advogados, negam irregularidades e afirmam boa-fé. Daniel Vorcaro declarou que o banco não gerencia os fundos ou empresas citadas. Em paralelo, o BRB, que adquiriu carteiras de crédito fraudulentas do Master avaliadas em R$ 12,2 bilhões pela PF, planeja vender ativos recuperados como fundos, CCBs e CRIs para reforçar seu patrimônio. O banco, controlado pelo Distrito Federal, afirma suficiência patrimonial e que apurações do BC e auditores independentes prosseguem, com possível recomposição de capital via governo local se prejuízos forem confirmados. O BC rejeitou a compra do Master pelo BRB em setembro de 2025.