O fundo de investimentos Termópilas, principal acionista da Super Empreendimentos e ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, realizou uma assembleia remota em 16 de novembro de 2025 para ajustar regras de amortização e resgate de recursos. A reunião ocorreu um dia antes da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal, em meio a investigações sobre fraudes no Banco Master. Não há indícios públicos de resgates efetivos, mas a mudança regulatória levanta questionamentos sobre movimentações financeiras no período.
O fundo Termópilas, com patrimônio líquido de cerca de R$ 934 milhões em setembro de 2025, é controlado por outro fundo de investimentos e atua como principal acionista da Super Empreendimentos e Participações SA, empresa com capital social de R$ 2,6 bilhões. Essa companhia está associada a Daniel Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, que foi diretor até julho de 2024. Ana Cláudia Queiroz de Paiva, sócia de Zettel e diretora da Super, mantém laços com negócios de Vorcaro, compartilhando endereço e telefone com suas empresas, conforme dados da Receita Federal.
A assembleia do Termópilas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um domingo às 15h, de forma remota, sem convocação prévia, pois todos os cotistas estavam presentes. De acordo com a ata arquivada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os participantes aprovaram "ajuste nas matérias de competência da assembleia especial no que se refere a amortização ou resgate total, bem como quórum de aprovação". Isso incluiu reformulações no regulamento do fundo, adicionando detalhes sobre o processo de pagamento a cotistas.
Na noite seguinte, 17 de novembro, emergiram notícias de uma proposta de compra do Banco Master pela Fictor, seguida da prisão de Vorcaro e da decisão do Banco Central de liquidar a instituição. O banqueiro foi solto 12 dias depois. O Termópilas integra a carteira do fundo Astralo 95, com patrimônio de R$ 27 bilhões em dezembro de 2025, mas a composição de ativos foi omitida por solicitação do administrador, permitida pela CVM por até 90 dias.
O Astralo 95 é mencionado em investigações do Banco Central sobre fraudes lideradas por Vorcaro e infiltração do PCC no mercado financeiro. A Super, por sua vez, possui uma casa de R$ 36 milhões em Brasília, alugada por Vorcaro para receber políticos como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos). Em dezembro de 2024, a empresa doou um apartamento de R$ 4,4 milhões a uma mulher envolvida em operação contra tráfico de drogas.
A Reag, administradora do Termópilas e Astralo 95, afirmou em nota que "não interfere nos negócios de seus clientes". A assessoria de Vorcaro, Ana Cláudia e Zettel não comentaram.