O Banco Central aprovou em julho de 2025 a transferência de controle do Banco Voiter para Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, mesmo com suspeitas de fraudes em carteiras de crédito já levantadas pela autarquia em março daquele ano. Lima foi preso em novembro na Operação Compliance Zero por envolvimento em esquema fraudulento ligado a associações baianas. O caso expõe contradições na análise regulatória do BC em meio a investigações em curso.
O Banco Central (BC) autorizou, em 24 de julho de 2025, a transferência de controle do Banco Voiter (antigo Indusval) para o empresário Augusto Lima, que encerrou 2024 com R$ 7,5 bilhões em ativos e era controlado pelo Banco Master desde fevereiro de 2024. Sob Lima, o banco mudou para Banco Pleno, focado em empresas. Essa aprovação ocorreu logo após o BC denunciar ao Ministério Público Federal (MPF), em 15 de julho, indícios de crimes em vendas de carteiras de crédito consignado do Master ao BRB, envolvendo fluxo atípico de R$ 12,2 bilhões nos primeiros meses de 2025. As suspeitas surgiram em março de 2025, quando o Master atribuiu a origem dos recursos a associações baianas como Asteba e Asseba, que o BC concluiu não terem capacidade financeira para tanto. Lima, de Salvador (BA), era sócio do Master desde 2020, com expertise em crédito consignado via Credcesta, e foi preso em 17 de novembro de 2025 junto com o controlador Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero. Ambos estão soltos com tornozeleira eletrônica e serão intimados para depoimentos de 26 a 28 de janeiro de 2026. A decisão judicial de prisão, do juiz Ricardo Leite, destaca que Lima controlava indiretamente as associações baianas, com procuração para atuar junto a instituições financeiras e o mesmo telefone de contato de sua empresa na Receita Federal. Após a prisão, o BC afastou Lima do dia a dia do Pleno, que segue operando. A defesa de Lima nega vínculo com as fraudes, afirmando que sua saída do Master ocorreu em maio de 2024. No mesmo dia da aprovação para Lima, o BC negou transferência do Letsbank para outro ex-sócio, Maurício Quadrado, por falta de comprovação de capacidade financeira. Especialistas criticam a decisão, como José Andrés Lopes da Costa, que alerta para riscos de terceiros interpostos em investigações sensíveis. O BC não comenta por sigilo, mas afirma que decisões têm sustentação legal conforme resolução CMN nº 4.970/2021.