O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu uma inspeção no Banco Central relacionada à liquidação do Banco Master, após pressão pública e análise preliminar que não apontou inação do regulador. A decisão ocorre em meio a uma CPMI proposta pela oposição para investigar irregularidades e interferências políticas no caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Conexões com familiares de ministros do STF alimentam controvérsias sobre influência no Judiciário.
A liquidação extrajudicial do Banco Master, determinada pelo Banco Central em 18 de novembro, tem gerado intensos debates sobre possíveis falhas regulatórias e interferências. Daniel Vorcaro, proprietário do banco, busca anular o processo alegando omissões do BC, em uma estratégia que envolveu litígios agressivos, incluindo a inclusão de um ministro do STF em voo com advogado ligado ao caso e a mobilização do TCU.
Análise preliminar dos técnicos do TCU, sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus, concluiu que o BC realizava monitoramento contínuo da instituição desde o primeiro semestre de 2024, sem indícios de inação. A avaliação, baseada em resposta do BC e sob sigilo, foi antecipada pelo Valor Econômico. No entanto, Jhonatan suspendeu a inspeção in loco no BC em 8 de janeiro, após repercussão negativa e pressão de colegas, submetendo o tema ao plenário do tribunal. Em despacho, ele destacou a 'dimensão pública' do caso e a necessidade de deliberação coletiva, acolhendo embargo do BC que questionava a competência da medida.
Paralelamente, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) coletou 229 assinaturas para uma CPMI investigando conexões político-jurídico-financeiras no Master, incluindo negócios suspeitos em estados como Rio de Janeiro, Amapá, Bahia e Distrito Federal. A iniciativa não conta com apoio de PT, Psol e PCdoB, por orientação do Planalto, e ausências notáveis incluem Arthur Lira (PP-AL) e Mecias de Jesus (Republicanos-RR), pai do relator no TCU.
Colunas na Folha apontam escalada: 46 perfis em redes sociais lançaram 4.560 posts contra o BC em 27 de dezembro, custando R$ 2 milhões à defesa de Vorcaro. Há menções a Ciro Nogueira e petistas nas trilhas do caso. Um editorial destaca prosperidade de parentes de ministros do STF, como viagem de Dias Toffoli com advogado do Master e contrato de R$ 129 milhões do banco com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, erodindo a credibilidade do Judiciário e impulsionando demandas por código de conduta.