A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado cancelou nesta segunda-feira (9/3) a audiência pública marcada para esta terça-feira com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, preso preventivamente em Brasília. A decisão ocorre em meio a investigações sobre fraudes financeiras e menções a ministros do STF em dados do celular de Vorcaro. O ministro André Mendonça autorizou visitas de advogados sem gravação ao preso.
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal suspendeu na noite de segunda-feira (9/3/2026), às 20h, a audiência pública prevista para esta terça-feira (10/3), às 10h, que ouviria Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília desde sexta-feira (6/3), após ser detido na quarta-feira (4/3) em São Paulo pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes ao sistema financeiro nacional.
Horas antes do cancelamento, a pauta da comissão havia sido atualizada para formato semipresencial. O comparecimento de Vorcaro não era obrigatório, conforme decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu a presença em comissões como facultativa. Antes da prisão, o banqueiro havia sinalizado disposição para prestar esclarecimentos.
Na mesma noite, Mendonça autorizou que advogados de Vorcaro o visitem na prisão sem agendamento prévio e sem monitoramento ou gravação, acatando pedido da defesa. A unidade prisional é de segurança máxima.
Paralelamente, o presidente do STF, Edson Fachin, e Mendonça, relator do caso, se reuniram para discutir menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em relatórios da PF baseados no celular de Vorcaro. Registros indicam mensagens, ligações e convites sociais atribuídos a Moraes e Toffoli. Moraes negou trocas de mensagens e visitas a propriedade ligada a Vorcaro em Trancoso, na Bahia. Sua esposa, Viviane Barci de Moraes, confirmou em nota prestação de serviços jurídicos ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, com 94 reuniões em áreas como compliance e regulatório.
Para Toffoli, dados apontam contatos telefônicos, mensagens e referências ao resort Tayayá, em Goiás. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) reuniu 27 assinaturas para uma CPI investigando a conduta dos ministros no caso Master, afirmando: “Vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”.
Investigações revelam contatos de Vorcaro com servidores do Banco Central, como Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, alvos de buscas em 4/3 e afastados por indícios de vantagens indevidas. O BC comunicou à PF suspeitas de crimes. O escândalo envolve políticos de direita e esquerda, com investimentos de fundos previdenciários em letras financeiras do banco e doações eleitorais ligadas à família de Vorcaro.