Sete meses após instalação, a CPMI do INSS patina na investigação de rombo de R$ 4 bilhões em fraudes contra aposentados. A comissão pediu prorrogação ao STF após negativa do Congresso. Figuras como Frei Chico e Lulinha permanecem sem esclarecimentos.
A CPMI do INSS, instalada em agosto para investigar golpe contra aposentados revelado pela Polícia Federal, tem prazo até a próxima terça-feira. O esquema envolvia associações e sindicatos que fraudavam cadastros, descontavam mensalidades sem autorização de idosos e pagavam propina a autoridades públicas, comandado pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Apesar de aprofundar algumas linhas, a comissão produziu poucos resultados concretos, que já eram conhecidos antes de sua criação, segundo a reportagem da Veja de 5 de abril de 2024, que estima um rombo de R$ 4 bilhões com acusações de propina e mensalidades indevidas a idosos. A comissão não avançou na investigação sobre José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi; Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; o advogado Paulo Boudens, ex-assessor de Davi Alcolumbre, que recebeu R$ 3 milhões de empresa ligada ao Careca sem explicar o motivo; nem o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que recebeu o lobista em casa e gabinete, usou seu jato particular e tinha afilhados em postos no Ministério da Previdência. Também ficou pendente fraudes no crédito consignado. Parlamentares pediram prorrogação ao presidente do Congresso, sem sucesso, e recorreram ao STF, com decisão para o ministro André Mendonça. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) criticou: “Parece que o STF quer matar essa CPMI de inanição. Cada depoente que o tribunal barra de vir aqui é mais uma oportunidade perdida de investigar a roubalheira do INSS”. O relator Alfredo Gaspar (União-AL) defendeu: “É uma questão de necessidade prorrogar a CPMI do INSS. Vejo muitas forças contrárias para a prorrogação, o que por si só mostra a seriedade do trabalho da comissão”. A deputada Adriana Ventura pressionou Alcolumbre: “Falei para o senador que é obrigação dele prorrogar o prazo da CPMI, mas infelizmente a perspectiva é pequena”. O relatório final corre risco de não ser aprovado.