O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025 por suspeita de fraudes em descontos de aposentadorias no INSS, confessou os crimes e firmou acordo de delação premiada com a Polícia Federal. A PF enviou o acordo ao ministro André Mendonça, do STF, para análise. A defesa espera que isso resulte em prisão domiciliar.
Maurício Camisotti, dono de empresas de seguros e planos de saúde, foi preso pela Polícia Federal em 12 de setembro de 2025 durante a Operação Sem Desconto. Ele é suspeito de controlar entidades como Ambec, Unsbras e Cebap, sediadas em São Paulo, que faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021 com descontos indevidos em benefícios do INSS, incluindo R$ 580 milhões em 2024.
A PF identificou que essas entidades eram geridas por parentes e funcionários de Camisotti, como Maria Inês Batista de Almeida, presidente da Ambec entre 2023 e 2024. Empresas do grupo Total Health, como Prevident, Rede Mais e Benfix, receberam R$ 43 milhões dessas associações. Na prisão, foram apreendidos bens de luxo, e Camisotti foi apontado como sócio oculto.
Os depoimentos da delação foram colhidos pela PF e enviados ao STF na semana de 9 de abril de 2026. O acordo, negociado pelo advogado Celso Villardi, deve ser analisado por André Mendonça, com expectativa de homologação e prisão domiciliar para o empresário, transferido da Penitenciária de Guarulhos para a Superintendência da PF em São Paulo.
O escândalo foi revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2023, levando à Operação Sem Desconto em 23 de abril de 2025 e demissões no INSS. À época da prisão, a defesa de Camisotti negou irregularidades.