A Polícia Federal obteve autorização para quebrar o sigilo bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, em meio a investigações sobre fraudes no INSS. A CPI do INSS também aprovou a quebra em sessão conturbada nesta quinta-feira (26), gerando tensões no governo às vésperas da campanha eleitoral. Auxiliares temem impactos na reeleição, enquanto a oposição busca prorrogar a comissão.
Em 26 de fevereiro de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou, a pedido da Polícia Federal feito há cerca de um mês, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula (PT). O governo só tomou conhecimento da medida pela imprensa no mesmo dia, o que aumentou preocupações entre auxiliares sobre possíveis reflexos na campanha à reeleição.
A CPI do INSS, presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), aprovou a quebra de sigilo de Lulinha em sessão tumultuada, com acusações de agressões entre governistas e oposicionistas. Governistas protocolaram recurso na presidência do Congresso pedindo anulação da votação, alegando parcialidade de Viana e erro na contagem simbólica, onde 14 parlamentares se posicionaram contra. Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, criticou a sessão como "jogada sorrateira" para proteger aliados da oposição, defendendo que investigações não sejam seletivas.
Lulinha é citado em apurações da Operação Sem Desconto, envolvendo Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, acusado de facilitar fraudes em aposentadorias. Menções indiretas a ele surgiram em dezembro de 2025. Em conversa com o pai em dezembro, Lulinha afirmou estar "100% tranquilo" e ironizou rumores sobre sua evolução patrimonial, questionando sobre uma suposta Ferrari de ouro e fazenda. Lula repetiu: "Quem errou tem que pagar", orientando que investigações prossigam.
A oposição, como o senador Eduardo Girão (Novo-CE), vê a quebra como justificativa para prorrogar a CPMI do INSS, que termina em 28 de março, possivelmente até maio, para analisar dados. Há tensões internas no governo, com dúvidas sobre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e críticas à articulação no Congresso. Paralelamente, a CPI do Crime Organizado aprovou, em 25 de fevereiro, quebra de sigilo de empresa ligada a Dias Toffoli e convites a ministros do STF, como Toffoli e Alexandre de Moraes, sobre o escândalo do Banco Master.
O caso envolve fraudes em benefícios previdenciários e o Banco Master, de Daniel Vorcaro, com dados da PF a serem entregues à CPI em até cinco dias, limitados ao tema INSS.