O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reconsiderou uma decisão anterior e negou a visita do assessor de Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A proibição ocorreu após o Ministério das Relações Exteriores alertar sobre possível ingerência em assuntos internos brasileiros. A visita, inicialmente autorizada para 18 de março, foi vetada nesta quinta-feira, 12.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), vetou nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, a visita do conselheiro Darren Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena na prisão da Papudinha, em Brasília. Inicialmente, Moraes havia autorizado o encontro para o dia 18 de março, mas reconsiderou após receber informações do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Vieira informou que o visto diplomático de Beattie foi concedido exclusivamente para sua participação em um fórum sobre minerais críticos na Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AMCHAM), em São Paulo, no mesmo dia 18. Não havia agendas diplomáticas confirmadas envolvendo o assessor do Departamento de Estado americano, e os pedidos de reuniões no Itamaraty foram feitos apenas na quarta-feira, 11, sem confirmação. "A visita poderia configurar 'indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro'", afirmou Vieira em manifestação à corte.
Na decisão, Moraes destacou que a visita "não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive, poderia ensejar a reanálise do visto concedido". A defesa de Bolsonaro havia solicitado alteração na data do encontro.
Beattie, assessor sênior para políticas em relação ao Brasil no Departamento de Estado, subordinado ao secretário Marco Rubio, é crítico do governo Lula e de Moraes, a quem chamou de "principal arquiteto do complexo de censura e perseguição" contra Bolsonaro. Durante sua estada no Brasil, ele planeja reuniões em São Paulo e Brasília para discutir o sistema eleitoral, incluindo encontros com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).