A defesa de Jair Bolsonaro solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorização para que um psicólogo aplique tratamento de neuromodulação na prisão onde o ex-presidente está detido. O pedido visa melhorar a qualidade do sono e tratar soluços, ansiedade e depressão. No mesmo dia, o procurador-geral da República manifestou-se contra a prisão domiciliar para Bolsonaro.
Em 20 de fevereiro de 2026, a defesa de Jair Bolsonaro (PL) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o ministro Alexandre de Moraes autorize a entrada de Ricardo Caiado, psicólogo e neurocientista, no 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília, conhecido como Papudinha. Lá, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. O tratamento proposto consiste em sessões de neuromodulação não invasiva por Estímulo Elétrico Craniano (CES), três vezes por semana ao final do dia, com duração de 50 minutos a uma hora, usando clipes auriculares bilaterais enquanto o paciente permanece em repouso consciente.
De acordo com o documento, Bolsonaro apresentou "melhoras perceptíveis" no sono e interrupção dos soluços durante internação em abril de 2025 com o mesmo método. A defesa argumenta que o tratamento prolongado pode melhorar o quadro de multimorbidade, complementando os medicamentos atuais. A neuromodulação visa alterar a atividade neural sem cirurgias, aliviando sintomas de transtornos psicológicos e dor crônica.
Um laudo da Polícia Federal (PF), elaborado no início de fevereiro, confirmou comorbidades crônicas como hipertensão, obesidade clínica, refluxo e apneia obstrutiva do sono grave. Embora tenha descartado prisão domiciliar, recomendou investigações neurológicas adicionais e adaptações na Papudinha, como grades de apoio, campainhas de emergência, monitoramento em tempo real, dieta prescrita e fisioterapia.
No mesmo dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contra a prisão domiciliar solicitada pela defesa em 11 de fevereiro. Gonet destacou que as patologias estão sob controle clínico e medicamentoso, com assistência médica 24 horas disponível na unidade. "O tratamento condizente com as patologias descritas já vem sendo regularmente prestado ao custodiado no próprio estabelecimento prisional", escreveu. A defesa comparou o caso ao de Fernando Collor, que obteve prisão domiciliar humanitária em maio de 2025. Cabe a Moraes decidir sobre os pedidos.
Bolsonaro esteve em prisão domiciliar em Brasília de agosto a novembro de 2025, até ser detido por danificar tornozeleira eletrônica, e transferido para a Papudinha em janeiro de 2026.