O governador Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo no Rio de Janeiro em 23 de março, um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode declará-lo inelegível por abuso de poder. Ele afirmou sair 'de cabeça erguida' para disputar o Senado e destacou conquistas de sua gestão. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, assume interinamente, abrindo caminho para eleição indireta na Alerj.
Cláudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, anunciou sua renúncia em 23 de março de 2026, após reunião com aliados no Palácio Guanabara. 'Saio de cabeça erguida, de forma grata', disse ele à imprensa, sem responder perguntas. A decisão ocorre na véspera da retomada do julgamento no TSE sobre abuso de poder político e econômico no caso Ceperj, envolvendo contratações de servidores temporários sem transparência. Até agora, há dois votos favoráveis à cassação e inelegibilidade de Castro, interrompido por pedido de vista do ministro Nunes Marques. A presidente do TSE, Cármen Lúcia, marcou a continuação para 24 de março, contrariando aliados do governador, que enviaram emissários a Brasília para sondar adiamento, mas receberam sinal negativo de um ministro sobre consolidação da tendência de cassação. Castro evitou mencionar o processo e enfatizou sua pré-candidatura ao Senado pelo PL, anunciada em fevereiro. Ele listou realizações como investimentos em segurança pública, concessões de saneamento e obras, criticando indiretamente o ex-governador Wilson Witzel. 'A figura do governador do estado voltou a ser uma figura respeitada', afirmou. Sua gestão manteve 'respeito' com o governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar de dificuldades, sem 'política rasteira'. Sem vice-governador — Thiago Pampolha deixou o cargo para o TCE —, assume interinamente o desembargador Ricardo Couto, presidente do TJ-RJ, que convocará eleição indireta na Alerj em até 48 horas para mandato-tampão até dezembro. Uma lei sancionada por Castro em 11 de março flexibilizava prazos (24 horas para desincompatibilização) e previa voto aberto, mas o ministro Luiz Fux (STF) suspendeu trechos, exigindo voto secreto e seis meses de afastamento prévio. Castro e a Alerj pediram reconsideração a Fux em 20 de março, argumentando risco de instabilidade. O plano sucessório inicial previa Rodrigo Bacellar (União Brasil), mas ele foi preso e afastado por Alexandre de Moraes (STF). Candidatos como Douglas Ruas (PL), exonerado recentemente, podem ser afetados.