O presidente Gabriel Boric anunciou que formalizará a candidatura de Michelle Bachelet a secretária-geral da ONU, considerando-a uma decisão de Estado. O processo envolve coordenar prazos com líderes mundiais, apesar de possíveis vetos no Conselho de Segurança. A candidatura ainda não foi formalmente submetida devido à incerteza do presidente eleito José Antonio Kast.
O presidente Gabriel Boric confirmou na terça-feira, em entrevista ao Tolerancia Cero, que o governo formalizará a candidatura da ex-presidente Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas (ONU). «Vamos formalizar essa candidatura. Estamos analisando os prazos com o presidente, em conversas também com outros líderes mundiais, mas o objetivo é formalizarmos essa candidatura», afirmou Boric, enfatizando que a decisão transcende governos e é uma questão de Estado. Boric recordou ter anunciado a candidatura em setembro do ano passado, durante a Assembleia Geral da ONU, antes das eleições presidenciais. Ele destacou o prestígio internacional de Bachelet: «Dada a trajetória da presidente Bachelet, parece-me indiscutível, e é assim entendido no mundo, que ela é uma das pessoas com o currículo, particularmente para os tempos difíceis que o mundo e o multilateralismo estão vivendo, para assumir uma responsabilidade dessa natureza». No entanto, o processo enfrenta obstáculos, como o poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. Boric aludiu a possíveis complicações devido às suas críticas ao presidente dos EUA Donald Trump, mas defendeu a transparência: «Nestas coisas, é preciso agir sem esconder as cartas do que se acredita». Acrescentou que, se os Estados Unidos vetarem Bachelet, terão de justificá-lo, observando que o Chile condenou fortemente a invasão russa da Ucrânia. A candidatura não foi formalmente submetida à ONU, embora o Ministério das Relações Exteriores tenha alocado recursos para a campanha. O atraso deve-se em parte à incerteza de José Antonio Kast, que se reuniu com Bachelet em 22 de dezembro, mas decidirá após tomar posse em 11 de março. Setores da direita expressaram apoio à candidatura.