Cúpula da COP30 no Brasil enfrenta baixas expectativas de progresso climático

A 30ª Conferência das Partes da ONU (COP30) está marcada para ocorrer em Belém, no Brasil, uma década após o Acordo de Paris, em meio a pessimismo sobre as metas de aquecimento global. Com o objetivo de 1,5°C inatingível e 2°C em dúvida, a cúpula visa refocar na implementação de compromissos existentes em vez de novos acordos ousados. A abordagem pragmática do Brasil como anfitrião busca navegar pela diplomacia fragmentada e desafios logísticos.

Uma década após a histórica COP21 em Paris, líderes mundiais se reunirão em Belém, no Brasil, para a COP30, a 30ª conferência climática da ONU. Os compromissos nacionais atuais apontam para um aquecimento de 2,3 a 2,5°C neste século, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, empurrando oceanos, florestas e camadas de gelo polar para pontos de inflexão. Especialistas enfatizam a necessidade de ações concretas para abandonar os combustíveis fósseis e mobilizar US$ 1,3 trilhão anualmente até 2030 para nações mais pobres mitigarem e se adaptarem aos impactos climáticos.

O otimismo é escasso. Negociadores antecipam nenhum grande avanço multilateral como em Paris, dada a paisagem política fragmentada. A COP29 do ano passado em Baku, no Azerbaijão, terminou amargamente com nações mais ricas oferecendo um pacote de financiamento muito abaixo das expectativas dos países em desenvolvimento, erodindo a confiança no processo. "O clima para a ação climática virou muito azedo", diz Claudio Angelo na ONG brasileira Observatório do Clima, citando a ausência de financiamento privado, retrocessos nas transições de combustíveis fósseis e compromissos climáticos nacionais (NDCs) não entregues.

Tensões geopolíticas agravam os problemas. O presidente dos EUA, Donald Trump, retirou-se do Acordo de Paris, vetou limites a combustíveis fósseis e, em 17 de outubro, ameaçou sanções que atrasaram o plano de emissões de transporte da Organização Marítima Internacional. Pressões econômicas como crescimento lento, aumento do custo de vida e populismo dificultam ainda mais as políticas. "2025 é apenas um ano ruim para salvar o mundo", acrescenta Angelo. O papel da Europa é limitado por divisões internas sobre defesa, comércio e energia. Mesmo o Brasil anfitrião, sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprovou estradas na Amazônia e exploração de petróleo antes das eleições.

A escolha de Belém como a primeira COP sediada na Amazônia simboliza a vulnerabilidade das florestas e impulsiona a participação indígena, segundo o ministério do meio ambiente. No entanto, está envolta em controvérsia: hotéis escassos dispararam os preços, forçando participantes a usar tendas ou redes, enquanto limites de credenciamento da ONU —de oito para dois em algumas organizações— geram temores de marginalizar a sociedade civil em favor de lobbies do petróleo. "Organizações que tinham oito credenciamentos no ano passado receberam apenas dois desta vez", observa Carla Cardenas na Iniciativa Direitos e Recursos.

Sinais de ímpeto incluem a presença confirmada de líderes como o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. A presidência brasileira prioriza a implementação sobre manchetes, fomentando "coalizões dos dispostos" entre cidades, regiões e empresas. "Não vamos ver uma decisão internacional na COP que nos avance radicalmente, mas ela ainda pode fornecer o quadro para muitas iniciativas positivas", diz Thomas Hale na Universidade de Oxford.

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar