Uma organização sem fins lucrativos de Cidade do Cabo que alimentava 340 crianças escolares diariamente há nove anos fechou após uma disputa com o conselho gestor da escola sobre aluguel. O Breakfast Club, em operação desde 2016, foi despejado após recusar pagar pelo espaço de preparação de alimentos. A medida deixou os alunos sem refeições durante o período de exames, levantando preocupações sobre fome e interrupções.
O Breakfast Club começou em 2016, fundado por Patsy Bagraim para combater a fome que afetava a concentração das crianças na Good Hope Seminary Junior School, na Cidade do Cabo. Por nove anos, forneceu cerca de 66.000 refeições anualmente a um custo de R440.000, financiado inteiramente por doações de indivíduos, empresas e instituições de caridade. Voluntários preparavam cafés da manhã nutritivos — e’Pap quente fortificado com vitaminas e minerais, misturado com leite integral e servido com frutas — em uma sala de aula não utilizada sem água corrente. Cerca de 75% dos 340 alunos da escola participavam voluntariamente, pois muitos viajavam longas distâncias e chegavam com fome após horas sem comer.
Tensões surgiram em julho de 2025 durante uma reunião hostil com o conselho gestor da escola (SGB), que exigiu aluguel pelo espaço. Mandy Trollip, uma curadora, descreveu os encontros como confrontacionais, com o SGB acusando a organização de usar o nome da escola para captação de recursos e tratar a área como um local comercial. Em agosto, o diretor interino indicou que as operações poderiam continuar sem aluguel, levando o clube a propor um contrato cobrindo manutenção e acesso, enviado em 27 de agosto e 12 de setembro, mas nunca assinado.
Em outubro, o SGB reverteu a posição, exigindo novamente pagamento, que o clube recusou, priorizando fundos para refeições em vez de aluguel. Em 14 de novembro, uma carta assinada pela representante do SGB Toufeeqah Cambell e pelo diretor interino Dean Van Jaarsveld ordenou a interrupção imediata dos programas e a remoção de equipamentos até 21 de novembro, citando falha no engajamento sobre conformidade e aluguel, além de quebra de confiança por um memorando de entendimento não assinado. A decisão veio de uma reunião em 13 de novembro com pais e funcionários.
O momento, logo antes dos exames e fim do trimestre, preocupou Trollip: “Estamos preocupados que as crianças não só fiquem com fome, mas também confusas e chateadas com a mudança repentina.” Uma criança perguntou a ela: “Por que vocês pararam de me alimentar? Estou com fome”, uma imagem que persiste. A escola notificou os pais via WhatsApp para fornecer lanches extras a partir de 17 de novembro. Após o despejo, o clube doou leite ao Heartlands Baby Sanctuary e armazenou outros suprimentos.
As indagações do Daily Maverick à escola não foram respondidas, apesar de pedidos de detalhes sobre motivações, outros fatores, confirmação de refeições, financiamento, alternativas e feedback dos pais. O Departamento de Educação do Cabo Ocidental chamou o resultado de “lamentável”, destacando os benefícios do clube, mas o SGB mantém a posição firme enquanto explora alternativas nutricionais, segundo a porta-voz Millicent Merton.