A Câmara dos Deputados chilena aprovou uma acusação constitucional contra o ex-ministro de Energia Diego Pardow com 80 votos a favor, devido a erros na faturação de eletricidade. A moção agora segue para o Senado, que decidirá se o desqualifica por cinco anos. Pardow defende suas ações e espera convencer os senadores de que não houve violações constitucionais.
Em 19 de novembro de 2025, a Câmara dos Deputados do Chile aprovou a admissibilidade de uma acusação constitucional contra Diego Pardow, ex-ministro de Energia da Frente Amplio. A votação registrou 80 a favor, 39 contra e 16 abstenções, representando um golpe emocional para o executivo, embora o resultado fosse esperado. A oposição, incluindo bancadas como UDI, RN, Evópoli e Republicanos, apresentou a moção devido a um erro metodológico que dobrou a cobrança de inflação nas tarifas de eletricidade, agravado por um problema de avaliação de ativos da Transelec em outubro de 2024 que elevou as contas.
Apesar da renúncia de Pardow por motivos políticos solicitada pelo presidente Gabriel Boric, 14 deputados aliados ao governo votaram a favor, incluindo independentes como Mónica Arce e Felipe Camaño, e outros do PPD, liberais e radicais. O governo mobilizou ministras de comitês políticos, como Álvaro Elizalde (PS), Macarena Lobos (Segpres), Nicolás Grau (Tesouro), Camila Vallejo (PC) e Antonia Orellana (Mulheres), para apoiar Pardow durante a sessão. Depois, reuniram-se no escritório da Segpres para revisar o dia em uma atmosfera sombria com algumas lágrimas. Pardow saiu visivelmente afetado, usando óculos escuros.
O ministro do Interior Álvaro Elizalde lamentou a aprovação: “É uma acusação que não vai na direção do que os chilenos nos pedem. [...] uma ferramenta que tem sido muito comum durante todo esse tempo foi usada, apresentar acusações constitucionais que não resolvem os problemas que afetam nossos compatriotas.” Pardow, advogado e acadêmico da Universidade do Chile, prepara sua defesa no Senado: “Não houve infração à Constituição ou às leis aqui. Minhas ações como ministro foram sempre uma estrita adesão à legalidade existente.” Ele espera influenciar uma maioria no Senado, argumentando que as críticas dos deputados foram políticas, não legais. Se o Senado mantiver a acusação, Pardow enfrentará uma proibição de cinco anos para cargos públicos, afetando até sua posição universitária.
Sinais de esperança incluem ausências da oposição e abstenções, como o pareamento entre Pamela Jiles (PDG) e Andrés Jouannet (Amarillos), e mudanças de voto para abstenção devido a contatos do governo.