Nova pesquisa da University of St Andrews revela que regiões de ressurgência costeira estão acidificando muito mais rapidamente do que se pensava anteriormente. Essas áreas, como a California Current, trazem águas profundas ricas em CO2 à superfície, intensificando os efeitos do dióxido de carbono atmosférico. Os achados geram preocupações para ecossistemas marinhos e pescarias em todo o mundo.
Um estudo publicado em 13 de novembro na Nature Communications examinou a California Current como exemplo chave de sistemas de ressurgência, onde camadas oceânicas mais profundas sobem à superfície. Essas águas, já ricas em nutrientes e ácidas pela decomposição microbiana de material orgânico, interagem com o CO2 atmosférico em ascensão, levando a quedas aceleradas no pH.
Para rastrear mudanças históricas, os pesquisadores analisaram assinaturas isotópicas de boro em esqueletos de corais do século XX. Esses dados, combinados com um modelo oceânico regional, mostraram que as taxas de acidificação nessas zonas superam o que seria esperado apenas da poluição do ar. A acidez inerente da água ressurgida amplifica o impacto das emissões de CO2 induzidas pelo homem.
Sistemas de ressurgência são vitais para as pescarias globais devido à sua alta produtividade biológica. A pesquisa destaca riscos para esses ecossistemas e economias costeiras dependentes. A coautora Dra. Hana Jurikova, pesquisadora sênior na School of Earth and Environmental Science da University of St Andrews, afirmou: "Prever como os sistemas de ressurgência responderão às mudanças climáticas é altamente complexo, pois influências antropogênicas interagem com fontes naturais de acidificação oceânica. Nossa pesquisa mostra que tais interações podem amplificar mudanças ambientais no California Current System, destacando a necessidade de estudos semelhantes em outras regiões para antecipar melhor mudanças futuras."
Padrões semelhantes podem afetar outras áreas principais de ressurgência, incluindo a Corrente de Humboldt ao largo do Peru e as Correntes de Benguela e Canary ao longo da costa oeste da África. O coautor Dr. James Rae, leitor na mesma escola, observou: "O oceano se tornando mais ácido representa riscos maiores para ecossistemas marinhos e as comunidades e economias que eles sustentam. As soluções que temos agora para as mudanças climáticas, como bombas de calor e veículos elétricos, também resolvem a acidificação oceânica, por isso é crucial apoiá-las."
O estudo, liderado por Mary Margaret V. Stoll e colegas, sublinha a urgência de abordar as emissões de CO2 para proteger essas regiões oceânicas produtivas.