A Coinbase está interrompendo seus serviços na Argentina a partir de 31 de janeiro de 2025, menos de um ano após o lançamento por lá. A medida ocorre enquanto o país lidera a América Latina em posse de criptomoedas com 19,8 por cento. Mudanças regulatórias e fatores econômicos são citados como influências principais.
A Coinbase anunciou que suspenderá suas operações na Argentina, encerrando o comércio entre pesos argentinos e a stablecoin USD Coin (USDC) a partir de 31 de janeiro de 2025. A decisão segue uma revisão interna do desempenho da empresa no mercado, que ela entrou há cerca de um ano. Os usuários não poderão mais comprar ou vender USDC usando pesos na plataforma, embora os saldos existentes ainda possam ser gerenciados até o prazo.
A Argentina emergiu como um ponto quente de criptomoedas na América Latina, com 19,8 por cento de sua população detendo ativos digitais, de acordo com pesquisa da Rankings Latam. Essa taxa supera os 18,6 por cento do Brasil e é atribuída à instabilidade econômica, hiperinflação e controles de capital rigorosos que limitam o acesso a serviços financeiros tradicionais e dólares americanos. Mais de 85 por cento dos detentores de cripto na região estão concentrados em seis países, incluindo Argentina e Brasil.
O cenário regulatório evoluiu significativamente. Em março de 2024, a Lei 27.739 estabeleceu um quadro para provedores de serviços de ativos virtuais (VASPs), colocando empresas de cripto sob a supervisão da Comissão Nacional de Valores Mobiliários (CNV). Essa lei alinha as regras argentinas aos padrões do Grupo de Ação Financeira (FATF) para aprimorar medidas de combate à lavagem de dinheiro e reduzir atritos regulatórios globais. A CNV impôs desde então uma supervisão mais rigorosa, agravada pelos controles de câmbio do Banco Central, tornando as operações desafiadoras para exchanges internacionais como a Coinbase.
Alternativas locais continuam disponíveis para usuários argentinos. Plataformas como Buenbit, Lemon Cash e Ripio continuam oferecendo conversões de pesos para cripto via transferências bancarias e depósitos em dinheiro. Essas exchanges podem preencher a lacuna deixada pela Coinbase, especialmente em meio a pressões econômicas contínuas. A eleição do presidente pró-cripto Javier Milei pode sinalizar mudanças potenciais no ambiente regulatório, possivelmente incentivando o retorno de players internacionais.
Essa saída destaca tensões mais amplas na cena de cripto da América Latina, onde países como Brasil e El Salvador desenvolveram regulamentações mais abrangentes, enquanto problemas econômicos impulsionam a adoção.