A startup australiana Cortical Labs anunciou planos para construir dois centros de dados utilizando chips preenchidos com neurónios. As instalações em Melbourne e Singapura abrigarão os seus computadores biológicos CL1, que demonstraram a capacidade de jogar videojogos como Doom. A iniciativa visa expandir serviços de computação cerebral baseados na nuvem, ao mesmo tempo que reduz o consumo de energia.
Cortical Labs, uma empresa australiana que desenvolve computadores biológicos, está a avançar a sua tecnologia com a construção de centros de dados dedicados. Estes centros incorporarão chips preenchidos com células neuronais ligadas a matrizes de microeletrodos, permitindo que os sistemas processem dados através de respostas celulares. A empresa demonstrou recentemente que a sua unidade CL1 conseguia aprender a jogar o jogo Doom em uma semana, baseando-se em demonstrações anteriores com Pong. Os primeiros centros de dados, localizado em Melbourne, acomodará cerca de 120 unidades CL1. Uma segunda instalação em Singapura, desenvolvida em parceria com a National University of Singapore, começará com 20 unidades e expandir-se-á para 1.000, pendente de aprovação regulatória. Esta expansão apoia o serviço em nuvem da Cortical Labs para computação cerebral, tornando a tecnologia mais acessível. Os especialistas destacam os potenciais benefícios. Michael Barros, da University of Essex, observou: «O que a [Cortical Labs] está a fazer é essencialmente permitir que o seu biocomputador seja acessível em grande escala», acrescentando que serão os primeiros a alcançar isso. Reinhold Scherer, também em Essex, explicou: «Não se programam neurónios como computadores standard», enfatizando a necessidade de explorar novos métodos de formação. A eficiência energética é uma vantagem chave, com cada CL1 a necessitar de apenas cerca de 30 watts em comparação com milhares para chips de IA avançados. Paul Roach, da Loughborough University, sugeriu que escalar para configurações do tamanho de uma sala poderia gerar poupanças energéticas significativas, embora os sistemas biológicos possam precisar de nutrientes e menos refrigeração. Os desafios persistem, pois a tecnologia está em estágio inicial. Tjeerd olde Scheper, da Oxford Brookes University, alertou: «Ainda estamos nos primeiros dias deste desenvolvimento.» Steve Furber, da University of Manchester, apontou dificuldades em escalar para tarefas complexas como modelos de linguagem grandes e problemas com armazenamento de memória e retreinamento, dado a vida útil aproximada de 30 dias dos neurónios. Embora os computadores biológicos difiram dos baseados em silício e ainda não possam realizar cálculos standard, estes centros de dados representam um passo em direção a aplicações mais amplas em investigação e computação.