Cuba negou estar envolvido em negociações formais com os Estados Unidos sobre o embargo ao petróleo, após as afirmações do presidente Donald Trump de negociações avançadas e a interrupção de suprimentos pelo México. Isso ocorre após a condenação de Havana a uma recente ordem executiva dos EUA que reforça as sanções, em meio à crise energética cada vez mais grave de Cuba.
Num seguimento à condenação de Cuba à ordem executiva dos EUA que impõe tarifas aos fornecedores de petróleo — emitida a 29 de janeiro e criticada por Havana como uma escalada ilegal —, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Carlos Fernández de Cossío disse à Associated Press a 2 de fevereiro que não existe uma mesa de diálogo formal com Washington. «Se me perguntar se temos hoje uma mesa de diálogo (com os Estados Unidos), não temos», afirmou, expressando abertura a discussões informais que respeitem o modelo político de Cuba. Trump, que assinou a ordem na semana passada, afirmou no fim de semana que os EUA estão a negociar com líderes cubanos para cortar o petróleo da Venezuela e do México, prevendo que o México pararia os envios e descrevendo Cuba como uma «nação falhada». Cuba depende de importações para 60% das suas necessidades de crude, tendo perdido os fornecimentos venezuelanos após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA a 3 de janeiro. As sanções causaram perdas de 7,556 mil milhões de dólares de março de 2024 a fevereiro de 2025 — 49% superiores às anteriores — e contribuíram para uma queda de 15% no PIB ao longo de seis anos, alimentando a emigração. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, rejeitou a previsão de Trump, anunciando a continuação da ajuda humanitária através da Marinha mexicana e esforços diplomáticos para resolver a questão do petróleo. Embora a Pemex tenha pausado um envio de crude, os responsáveis procuram formas de retomar. A Rússia manifestou apoio após uma conversa entre os ministros dos Negócios Estrangeiros Bruno Rodríguez e Sergei Lavrov. As tensões persistem: o encarregado de negócios dos EUA, Mike Hammer, enfrentou protestos em Camagüey com gritos de «Abaixo o bloqueio!». O Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA instou Cuba a parar de reprimir diplomatas.