A Aliança Democrática (DA) está sob fogo por falta de transparência na substituição de Dion George como ministro do Ambiente, em meio a especulações que ligam os laços do líder John Steenhuisen com a China à decisão. Grupos de bem-estar animal e jornalistas questionam a recusa do partido em explicar a nomeação de Willie Aucamp. Isso contrasta com a defesa histórica da DA pela responsabilização.
A controvérsia surgiu após a decisão da DA de remover Dion George do cargo de ministro do Ambiente no Governo de Unidade Nacional (GNU). George estava fortalecendo medidas contra o comércio ilegal de abalones e ossos de leão, exportações proeminentes nos negócios com a China. Surgiram especulações de que John Steenhuisen, líder da DA e ministro da Agricultura, influenciou a mudança durante sua viagem à China em outubro.
Em 15 de outubro, em Xangai, Steenhuisen assinou um acordo comercial de frutas de caroço e discursou na 2ª Conferência sobre o Mecanismo de Cooperação de Segurança Alimentar para Importação e Exportação da Iniciativa Cinturão e Rota. Ele destacou os benefícios dos investimentos chineses na infraestrutura sul-africana, incluindo ferrovias, portos e rodovias, e promoveu a logística de Xangai para exportações agrícolas. Isso ocorreu no mesmo dia de uma reunião não programada do Comitê Executivo Federal da DA, supostamente a primeira tentativa de destituir George.
O Daily Maverick enviou seis perguntas em 26 de novembro ao departamento de Steenhuisen sobre seus compromissos na China desde a posse. A porta-voz Joylene van Wyk respondeu: “Infelizmente, não vamos responder. Desculpe por isso.” As perguntas visavam esclarecer quaisquer ligações com a remoção de George, dado o ceticismo passado da DA em relação à influência chinesa na África do Sul.
O Conselho Nacional de SPCAs (NSPCA) também exigiu razões para a nomeação de Willie Aucamp, citando seus laços com caça, criação de vida selvagem e uma empresa de contratos de mineração. No final de novembro, os advogados da DA recusaram, afirmando que o NSPCA não tinha direito às informações fora de um pedido da Lei de Promoção do Acesso à Informação (Paia). A presidente do comitê executivo federal, Helen Zille, explicou que apenas canais legais como Paia ou litígio poderiam obrigar a divulgação.
Essa postura atrai críticas, pois a DA anteriormente contestou rearranjos do gabinete ANC em tribunal, chegando ao Tribunal Constitucional em 2019, que considerou o caso irrelevante. Zille observou que os contextos diferem, mas observadores argumentam que o partido agora espelha a opacidade que outrora se opôs, minando suas credenciais de transparência.