Dois especialistas debatem se as Conferências das Partes (COPs) da ONU sobre mudanças climáticas têm alcançado seus objetivos, em meio à proximidade da COP30 em Belém. Enquanto um argumenta que houve avanços significativos, o outro critica a falta de cumprimento de promessas. A conferência começa em 10 de novembro de 2025, no coração da Amazônia.
As COPs, iniciadas em 1995 em Berlim, completam 30 anos com a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima em vigor desde então. A COP30, marcada para Belém a partir de 10 de novembro de 2025, reacende o debate sobre sua efetividade. Thelma Krug, presidente do Sistema Global de Observação para o Clima (GCOS) e ex-vice-presidente do IPCC, defende que "houve avanços significativos nestes 30 anos". Sem as negociações, afirma, "o planeta estaria hoje numa situação muito mais fragilizada, com eventos extremos ainda mais frequentes e intensos". Ela destaca que as 196 nações têm voz igual e submetem inventários de gases de efeito estufa anualmente (países desenvolvidos) ou bienalmente (em desenvolvimento), baseados em metodologias do IPCC.
Krug ressalta marcos como a COP3 em 1997, que criou o Protocolo de Kyoto, primeiro tratado vinculante para reduções em países desenvolvidos, apesar de os EUA assinarem mas não ratificarem. O protocolo introduziu o mercado de carbono e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), permitindo investimentos em projetos limpos em nações em desenvolvimento. Encerrado em 2020, levou ao Acordo de Paris em 2015, com Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) a cada cinco anos. Sem esses esforços, alerta, o aquecimento global poderia atingir 4°C até o fim do século.
Por outro lado, o advogado ambientalista Ricardo de Almeida, mestre e doutor pela PUC-SP, vê as COPs como "uma carta de intenções que nunca foi cumprida". Ele critica que a promessa de reduções por grandes emissores pré-1990 não se materializou, com os EUA, maior poluidor, retirando-se repetidamente. O MDL e o mercado de créditos de carbono, criados em Kyoto, não geraram fomento financeiro efetivo aos países em desenvolvimento. A COP26 em Glasgow (2021) ratificou Paris, mas avanços são "tímidos e longe de efetivos". Almeida aponta EUA e China como passivos, e critica o Brasil como vilão apesar de suas florestas e energias limpas, citando acusações de Donald Trump sobre queimadas na Amazônia para justificar tarifas. Para ele, sem incentivos financeiros, a preservação ambiental permanece um ideal distante.
Ambos concordam que as COPs oferecem um fórum único, mas divergem na avaliação de resultados, destacando desafios para a COP30.