Uma semana após a FCC proibir a venda de novos roteadores Wi-Fi fabricados no exterior devido a riscos à segurança nacional, surgem novos detalhes sobre os ataques cibernéticos envolvidos e críticas crescentes à eficácia dessa ampla política.
O aviso público da FCC tem como alvo explícito roteadores vinculados a ataques cibernéticos recentes, incluindo os grupos Volt, Flax e Salt Typhoon, que invadiram redes responsáveis por interceptações telefônicas autorizadas judicialmente. A agência considera que roteadores fabricados no exterior — aqueles com qualquer etapa importante de fabricação, montagem, design ou desenvolvimento realizada fora do país — representam 'riscos inaceitáveis', afetando quase todos os novos modelos em meio às cadeias de suprimentos globais. Por exemplo, a Netgear produz no Vietnã, Tailândia, Indonésia e Taiwan, enquanto a Starlink destaca roteadores mais novos montados no Texas.
A FCC direciona as consultas para o seu FAQ sobre a 'Lista de Equipamentos Abrangidos' (Covered List), com fabricantes buscando aprovações condicionais em meio ao nervosismo do mercado. Mais clareza sobre as empresas afetadas é esperada nos próximos um a dois meses, segundo observadores do setor.
As críticas são contundentes. William Budington, da Electronic Frontier Foundation, classificou a proibição como 'um instrumento extremamente impreciso' que também prejudica produtos inofensivos. Alan Butler, do Electronic Privacy Information Center, alertou que a medida pode degradar a segurança após o prazo limite, tornando os roteadores obsoletos por falta de atualizações. Especialistas em cibersegurança apoiam, em grande parte, as salvaguardas para roteadores, mas criticam a abordagem abrangente: Thomas Pace, da NetRise, apontou vulnerabilidades em todas as marcas, e Sergey Shykevich, da Check Point Research, observou que credenciais padrão têm alimentado ataques em massa.