O general Augusto Heleno foi condenado a 21 anos de prisão por envolvimento em uma trama golpista em 2022. Durante um exame médico, ele revelou conviver com Alzheimer desde 2018, um ano antes de assumir a chefia do Gabinete de Segurança Institucional. Sua história militar inclui episódios controversos desde os anos 1970.
O general Augusto Heleno, condenado a 21 anos de prisão por sua participação na trama golpista de 2022/2023, tem uma trajetória marcada por incidentes militares. Atualmente preso no Comando Militar do Planalto, sua condenação já transitou em julgado. Em um exame médico recente, Heleno admitiu conviver com a doença de Alzheimer desde 2018, período em que, um ano depois, assumiu a chefia do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Bolsonaro.
Sua carreira inclui episódios de tensão durante a ditadura militar. Na manhã de 21 de outubro de 1977, como capitão e ajudante de ordens do ministro do Exército Silvio Frota – demitido pelo presidente Ernesto Geisel –, Heleno tentou telefonar para o general Fernando Bethlem, comandante das guarnições do Sul, para convocá-lo a uma reunião do Alto Comando que visava emparedar Geisel. Bethlem, no entanto, já havia sido convidado para assumir o ministério no Palácio do Planalto.
Um ano depois, em 1978, Heleno era vigiado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI). Um relatório descrevia: "Vale lembrar que o capitão de cavalaria Augusto Heleno, ex-ajudante de ordens do general Silvio Frota e que com o mesmo continua a manter estreita ligação, e o capitão de infantaria paraquedista Burnier (filho do brigadeiro Burnier) e ligado ao general Hugo Abreu, irão cursar a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais".
Em 2008, o sertanista Sydney Possuelo comparou Heleno ao coronel George Custer, figura histórica conhecida por massacres contra indígenas. Em 2018, mesmo ano do diagnóstico de Alzheimer, Heleno discursou na Escola Superior de Guerra (ESG), afirmando: "na hora em que começarem as operações pontuais [do Exército no Rio], vai aparecer um monte de caras chiando sobre direitos humanos. Se os humanos direitos não têm direitos humanos, primeiro temos que consertar isso". Ele acrescentou: "A Colômbia ficou 50 anos em guerra civil porque não fizeram o que fizemos no Araguaia", referindo-se à repressão militar na região, onde o Exército matou guerrilheiros, inclusive os que se renderam, sem explicar detalhes.
A família de Heleno também tem histórico militar conturbado. Em 1912, seu avô, o capitão de fragata Augusto Heleno, integrou o Conselho de Guerra que julgou os marinheiros rebelados na Revolta da Chibata.
Em 5 de julho de 2022, antes das eleições, Heleno declarou em reunião: "Não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa é antes das eleições". Apesar de admitir ações pré-eleitorais, foi condenado por planos pós-eleição.