O governo argentino oficializou um aumento de 15% nos subsídios de ônibus para impedir uma greve convocada pela UTA em 5 de dezembro no AMBA. A medida responde às ameaças das empresas de pagar salários em parcelas. Embora a maioria das linhas opere normalmente, algumas em La Plata podem ser suspensas.
O conflito entre a Unión Tranviarios Automotor (UTA), as empresas de ônibus e o governo escalou nas últimas semanas, quando os prestadores de serviços na Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) anunciaram que pagariam os salários de novembro e o bônus semestral de dezembro em parcelas. A UTA ratificou uma paralisação do trabalho para sexta-feira, 5 de dezembro, com retenção de tarefas a partir das 00:00 nas empresas que não quitarem os salários integrais. "O salário é o esforço diário com o qual cumprimos nossas obrigações laborais e constitui o sustento direto de nossas famílias", afirmou o sindicato em um comunicado, exigindo pagamento imediato e alertando para perturbações à paz social.
Em resposta, a Secretaria de Transportes publicou a Resolução 86/2025 no Boletim Oficial, atualizando a estrutura de custos com um aumento de 15% nos subsídios para linhas nacionais no AMBA. A medida contempla o salário básico para motoristas de curta e média distância, despesas de viagem e um prêmio de estímulo na Grande La Plata. Fontes oficiais do governo descreveram a reivindicação da UTA como "inequívoca e política", originada de uma disputa interna no sindicato, e esclareceram que os pagamentos de salários são responsabilidade das empresas privadas. "A Nação não tem inadimplência nem responsabilidade", afirmaram, destacando que a relação tarifa-subsídio melhorou de 8%/92% no início do governo de Javier Milei para os atuais 36%/64%, reduzindo a dependência do Estado.
A Associação Argentina de Empresários de Transporte Automotor (AAETA) confirmou que a vasta maioria das empresas concordou em operar normalmente graças ao ajuste nos subsídios, controlando a situação exceto por casos isolados. No entanto, linhas como a 22, MOQSA (159, 219, 300, 372, 584, 603, 619), San Juan Bautista (383, 500), MO Primera Junta (324, 501, 504, 583), La Cabaña (172, 174, 242, 298, 317, 624, 635) e EDO (244, 320, 390, 443B, 461, 462, 463, 464) podem aderir, embora o status da linha 148 seja desconhecido. Em La Plata, as linhas 275, 307 e 506 já suspenderam os serviços por falta de pagamento de salários. O porta-voz da UTA, Mario Calegari, alertou: "Se o salário não aparecer, não podemos trabalhar", esclarecendo que se trata de abstenção de tarefas nas unidades.
Não se espera conciliação obrigatória, pois o caso envolve descumprimento de termos negociados, não uma negociação coletiva em andamento. O governo enfatizou que não é de sua competência gerenciar pagamentos privados, deixando às empresas a responsabilidade de resolver as reivindicações dos funcionários.